segunda-feira, 2 de julho de 2012

Sexualidade - Consulta de sexologia

A sexualidade acompanha-nos desde sempre, desde a infância à velhice, e constitui um dos factores fundamentais no desenvolvimento do ser humano. Somos por natureza seres sexuados e este facto permite-nos estabelecer laços afectivos, dar e receber afecto, comunicar e obter prazer. Para vivermos uma sexualidade saudável é importante aprendermos a conhecer o nosso corpo, assim como a forma como vivênciamos a nossa própria vida sexual.
Não existe uma única forma de experenciar a sexualidade, nem tão pouco uma correcta forma de a viver ou sentir. De pessoa para pessoa a gratificação sexual varia, tal como se pode manifestar de diversas formas na mesma pessoa ao longo dos tempos. É natural que aos 12 anos a sexualidade seja vivida de forma diferente do que aos 20 anos ou aos 50 anos e por aí fora, por existirem uma série de variáveis físicas, sociais e psicológicas inerentes à própria evolução de cada um.
No ser humano as vivências sexuais têm uma finalidade para além da procriação, implicando a totalidade da pessoa e não apenas uma parte do corpo, ou seja é muito mais do que um contacto com as zonas genitais. É fonte de enriquecimento pessoal, de bem estar, prazer, satisfação e de crescimento, assim como um encontro com as fantasias, desejos, expectativas e emoções.
Por vezes, surgem preocupações pessoais em relação à sexualidade, que podem levar a uma vivência sexual com medos, falsas expectativas e angústias. Estas preocupações podem ser muito diversas e levar a maiores ou menores consequências no nosso quotidiano e bem estar.
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Podem também surgir questões de orientação sexual, como a homossexualidade, bissexualidade ou transexualidade que nos dias de hoje ainda têm uma conotação negativa para algumas pessoas e podem ser encaradas como o "desvio" à normalidade. Por vivermos em sociedade, as atitudes discriminatórias poderão ser inevitavelmente causadoras de sofrimento psiquico e de uma repressão da liberdade sexual.
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Por estas ou outras questões relacionadas com a sexualidade, pode ser necessário procurar apoio psicológico. Ainda que estejamos numa época em que é fácil obter informação, a verdade é que ainda existe um enorme desconhecimento e crenças erradas acerca do que se supõe que todos tenham acesso. Por outro lado, o conhecimento por si só não é suficiente para viver uma sexualidade gratificante, sendo que aspectos emocionais podem estar na origem de algumas dificuldades que necessitam de ser resolvidas.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Luto: A dor da Perda

A perda de uma pessoa pela qual se tem um sentimento profundo, constitui uma das experiências mais dolorosas na vida e dá origem ao que se denomina por processo de luto. Este processo resulta da relação afectiva que existia entre as duas pessoas, e quanto maior for o grau de intimidade que as unia, maior será sofrimento, como é o caso da perda de um(a) filho(a), de uma pai ou mãe, do(a) cônjuge, familiar ou amigo muito próximo.

A forma como o luto é vivido depende de pessoa para pessoa, mas existem algumas características que são comuns entre a maioria daqueles que passam por este processo. Normalmente, na fase inicial, dá-se um torpor ou dormência emocional em que a pessoa tem dificuldade em acreditar no que aconteceu. É esta negação da realidade que faz com que seja natural o enlutado ter uma energia inicial, por vezes quase eufórica, que lhe permite tratar das questões burocráticas inerentes a um falecimento.

Mais tarde, começará a surgir a desorganização emocional, com uma grande agitação e ansiedade, estados depressivos, revolta com o que aconteceu e sentimentos de culpa por se achar que se podia ter dito ou feito algo enquanto a pessoa era viva ou para evitar a morte.
Surge ainda um forte sentimento de querer encontrar a pessoa que faleceu e a angústia extrema de saber que nada se pode fazer para ter a pessoa amada de volta. Todas as situações e locais fazem lembrar o falecido e por vezes tem-se mesmo a sensação de que este ainda está presente, oscilando-se entre a recusa e a aceitação do sucedido e entre períodos mais ou menos críticos.

Algumas pessoas começam a isolar-se porque sentem que mais ninguém consegue compreender a dor que estão a passar e que o seu problema é único e impossível de ultrapassar. É importante ajudar a pessoa no sentido de continuar a integrar-se com os familiares, amigos ou colegas e permitir que esta partilhe o que sente, para vencer o isolamento. Nem sempre isto se torna possível porque a pessoa que está em luto tem geralmente muita necessidade de falar constantemente sobre o falecido, podendo gerar reacções negativas naqueles que a rodeiam com o passar do tempo.
O apoio psicológico, torna-se muito importante para permitir à pessoa expressar todas as emoções sem ter o receio de se tornar incomodativa ou de ter de reprimir o que sente e pensa para não magoar outras pessoas significativas que também estejam a passar pelo processo de luto. É ainda importante para recuperar lentamente uma maior estabilidade emocional, pois o facto de falar sobre os seus sentimentos e de receber compreensão, escuta e aconselhamento permite uma maior organização afectiva, aprendizagem e aceitação das fases pelas quais tem de passar para resolver o seu próprio luto internamente.

Os grupos de entreajuda também são importantes porque através do relato de pessoas com lutos mais antigos, a pessoa tem consciência de que as sensações pelas quais está a passar fazem parte de um processo normal. Deste modo, sentem-se apoiadas e compreendidas, sendo que mais tarde têm também a oportunidade de ajudar outras pessoas em luto.

Apesar da morte de um ente querido ser a principal razão para a ocorrência do luto, este também pode ser despoletado por outro tipo de situações, como por exemplo num divórcio, num aborto, na perda de um membro do corpo ou qualquer outra situação de vida que implique um conjunto de sentimentos que necessitam de algum tempo para ser resolvidos e que não devem ser apressados.

Num processo de luto normal, à medida que o tempo passa e com o apoio adequado, a angústia e sofrimento começam a diminuir de intensidade e a pessoa começa a ganhar a capacidade de pensar noutros assuntos ou até programar projectos futuros. Apesar da perda se manter e de ser algo que permanece no interior da pessoa para a vida toda, torna-se possível que esta volte a sentir-se completa e que encare a vida de uma forma positiva.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Mitos na Psicologia

Ainda existem alguns mitos quando se fala na procura de um psicólogo, que podem inibir algumas pessoas de encontrar ajuda. Um dos mitos é que apenas as pessoas "malucas" ou muito perturbadas são seguidas por psicólogos. Mesmo alguns daqueles que optam por ultrapassar esse preconceito e procurar ajuda, têm tendência a esconder dos outros que estão a receber algum tipo de apoio ou acompanhamento psicoterapêutico.
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Em parte, isto acontece pela crença distorcida e generalizada de que devemos ser capazes de enfrentar tudo sozinhos e que qualquer sinal de fraqueza deve ser ocultado. Podemos cometer o erro de querer ir ao encontro das expectativas sociais, existindo a preocupação da opinião dos outros e demonstrando que somos a tempo inteiro pessoas optimistas, decididas, positivas e de sucesso. Mas a verdade, é que todas estas ideias não correspondem fielmente à realidade. Negar uma fraqueza pode ser o primeiro passo para intensificá-la, assim como achar que não precisamos dos outros pode tornar-se a evidência de que não conseguimos estar sozinhos.
Como seres humanos e não podendo fugir a essa condição, cabe-nos reconhecer que faz parte da nossa essência relacionarmo-nos com os outros e que não temos menor valor só porque em determinado momento podemos necessitar de ajuda psicológica. Muito pelo contrário, pois é indicador de que temos a coragem e força suficiente para expôr a nossas emoções e sentimentos e que estamos a ser honestos e verdadeiros conosco próprios.

Todos nós já passámos por momentos de crise e nessas alturas utilizamos os nossos recursos internos e externos para saber lidar com esses momentos. Nesse sentido, as pessoas que nos rodeiam, como a família e/ou os amigos têm um papel muito importante para o suporte social de que necessitamos e para o nosso bem-estar. Contudo, em determinadas situações é necessário recorrer a um técnico que tenha conhecimentos efectivos para contribuir para uma verdadeira ajuda especializada, que nem os amigos nem família poderão proporcionar.

Quando estamos doentes, não achamos que é uma fraqueza procurar um médico. Quando queremos emagrecer, não achamos que é uma fraqueza procurar um nutricionista. Quando queremos decorar a casa não achamos que é uma fraqueza procurar um decorador. Quando precisamos de apoio psicológico, será fraqueza procurar um psicólogo?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Obsessão/Compulsão


A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC), também designada por Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é uma perturbação de ansiedade muito frequente e fácil de diagnosticar.
Em linhas gerais, a obsessão caracteriza-se por pensamentos intrusivos, repetitivos e persistentes que provocam inquietação e mal estar, enquanto que a compulsão manifesta-se por comportamentos/acções que a pessoa se sente impelida a executar e que tem muita dificuldade em controlar.

Mais especificamente, as obsessões e as compulsões podem ser as mais variadas:
- limpezas excessivas, como lavar as mãos constantemente ou limpar a casa diariamente; organização muito metódica, como ter tudo sempre muito arrumado, sem estar quase nada fora do sítio; verificação, ou seja, estar sempre a verificar por exemplo se as portas de casa ou o gás ficaram fechados; contagem, que está relacionado com enumerar e contar objectos repetidamente, como por exemplo uma gaveta, duas gavetas, três gavetas; rituais e/ou superstições excessivas, no sentido de fazer sempre as mesmas coisas nas mesmas alturas, como por exemplo acender e apagar as luzes do quarto várias vezes antes de deitar, havendo a sensação de que se esses rituais não forem executados, alguma coisa irá correr mal; entre outros.

Ainda que os comportamentos possam ser muito diversos, a manifestação destes está relacionada com uma necessidade de "descarregar" a ansiedade, mesmo que esta não seja visível e a pessoa não se aperceba da mesma. A desorganização interna pela qual a pessoa esteja a passar é compensada por uma necessidade de organização e controlo exteriores. Explicando de uma forma simples: as coisas estão desarrumadas no interior da pessoa e ao arrumar ou controloar constantemente os objectos externos há uma sensação de alívio temporário. A obsessão é por exemplo estar sempre a pensar que as mãos estão sujas e com bactérias e a compulsão é a acção, nomeadamente ir lavar as mãos. Enquanto a pessoa não concretizar a compulsão, não consegue deixar de ter o pensamento obsessivo e sempre assim sucessivamente.

Quando a pessoa percebe que o seu comportamento está a ser excessivo poderá haver tendência para "resistir" à compulsão, mas por outro lado a ansiedade poderá aumentar significativamente, porque pode conseguir controlar a acção mas não se consegue da mesma forma controlar os pensamentos, e estes podem dia após dia ser muito desgastantes e afectar imenso a vida da pessoa. Deste modo, actuar apenas no comportamento não é suficiente e daí a importância de uma psicoterapia para se intervir nos mecanismos psicológicos e emocionais que estão na origem do desenvolvimento da perturbação.

As origens desta perturbação também são diversas e estão relacionadas com a história de vida de cada um. Por vezes, uma infância sentida como ameaçadora pode levar a criança ou jovem a sentir que precisa de ter sempre controlo sobre si próprio e sobre o que o rodeia. Na altura, a perturbação pode não se manifestar, mas mais tarde perante situações adversas do quotidiano as obsessões e as compulsões podem começar a ser despoletadas, instalando-se progressivamente.
Uma educação rígida, com pais exigentes que valorizem muito a boa performance dos filhos, também pode gerar muita ansiedade, na medida em que estes sentem que têm de corresponder às expectativas dos pais, havendo pouco espaço à manifestação das suas características com maior liberdade e descontracção.
Seja qual for a origem, existe tratamento e como a doença tem diferentes graus e intensidades na sintomatologia, é necessário estar atento ao evoluir dos sintomas, pois uma intervenção precoce é sempre o mais aconselhável.

domingo, 25 de março de 2012

Orientação Escolar e Profissional

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Um dos aspectos importantes no trajecto escolar de um adolescente prende-se com a definição da sua vida futura no âmbito profissional. O 9ºano de escolaridade assume-se como a primeira altura em que o jovem tem realmente de decidir qual a área predominante de estudo nos próximos anos de aprendizagem. Por esse motivo, aconselha-se que nesta altura o aluno faça provas de orientação vocacional, que o ajude a esclarecer dúvidas e a tomar uma decisão mais madura e consciente.

Estas provas, também denominadas por testes psicotécnicos, irão recolher dois tipos de informação essenciais: os Interesses e as Aptidões. Os interesses dizem respeito às áreas pelas quais o jovem demonstra maior motivação e gosto e também ao que projecta que possa vir a ser a sua realização profissional, enquanto que as aptidões estão relacionadas com as suas reais capacidades nas diferentes áreas.

Escolher uma área de estudos ou um curso de carácter técnico-profissional nem sempre se afigura uma tarefa fácil, pelo que é natural e frequente existirem indecisões, angústias e receios. Implica uma série de factores que devem ser analisados entre o aluno e o psicólogo na entrevista de orientação, como por exemplo uma discrepância entre as aptidões e os interesses, as expectativas do aluno, os desejos mais ou menos explícitos dos pais que podem gerar ambivalências no jovem, a falta de informação relativamente aos cursos e à relação destes com o mercado de trabalho, a consciência de que é difícil perceber o que realmente gostará de fazer daqui a uns anos, entre outros.

É importante frisar que esta escolha não é estática e não se pretende criar um determinismo à volta da mesma, ou seja, actualmente as nossas escolas permitem ao aluno frequentar exames de disciplinas que não estão contempladas no seu currículo, havendo sempre a oportunidade de mudança numa perspectiva de prosseguimento de estudos após o 12ºano.
Como ponto de partida, devemos compreender que para que o aluno obtenha sucesso numa determinada área, é necessário que exista para além dum investimento intelectual, um investimento afectivo e emocional que funcione como a “alavanca” no desejo de aprender. Para que isso aconteça, é necessário considerar a possibilidade de mudanças no trajecto do aluno e deixá-lo criar o seu espaço onde este aprenda a movimentar-se com segurança e liberdade, assim como a assumir uma responsabilização perante as suas decisões.

Os alunos do 12ºano de escolaridade que pretendam prosseguir estudos também beneficiam de uma orientação vocacional, independentemente de já ter sido realizada no 9ºano. Isto porque no 9ºano a decisão contempla uma área de estudo que é mais generalista, sendo que a partir do 12ºano a escolha já é específica e reveladora daquilo que será o futuro profissional do jovem. Para além das dificuldades apontadas anteriormente, enquanto processo de decisão, aqui são acrescentadas muitas vezes outro tipo de dúvidas, relacionadas com as médias e requisitos de entrada na universidade, com as localidades do país em que existem determinados cursos, com as saídas profissionais, ou mesmo com um sentimento de enorme pressão por não se saber verdadeiramente qual o curso de interesse.

Existem alunos que desde muito cedo manifestaram interesse por uma determinada área, e começam a esboçar um percurso mais linear, tornando-se eventualmente profissionais realizados. No entanto, um jovem que sempre soube aquilo que quis não é necessariamente o mais bem sucedido. As dúvidas, os receios ou mesmo os erros nas escolhas fazem parte de uma aprendizagem e de um processo de evolução característico de qualquer ser humano e que atinge uma maior intensidade na fase da adolescência, por ser característica de enormes mudanças físicas e emocionais num curto espaço de tempo. Assim, se um jovem está muito indeciso relativamente ao seu futuro e prolonga a sua decisão, isso não é sinónimo de fracasso ou desinteresse no futuro e pode junto dos pais procurar profissionais especializados que certamente o saberão ajudar e orientar nesta fase importante da sua vida.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Psiquiatra ou Psicólogo?

Por vezes ainda se confunde o Psiquiatra do Psicólogo Clínico, pelo facto de ambos intervirem ao nível da saúde mental. Contudo, têm funções bastante distintas, que muitas vezes se complementam.

O Psiquiatra é um médico, ou seja, tem uma formação centrada no funcionamento fisiológico e biológico do ser humano, tendo por objectivo tratar doenças ao nível mental através de psicofármacos.
Os Psicofármacos são indispensáveis para tratar determinadas problemáticas, mas nem sempre é necessário recorrer a este tipo de medicamentos. Por vezes, o ritmo da nossa sociedade leva-nos a procurar a solução mais fácil e rápida, mas que não é necessariamente a mais aconselhável.

O Psicólogo insere-se numa visão mais abrangente e integradora do ser humano, na medida em que dá relevância aos aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Cada pessoa tem uma experiência de vida diferente e é na ligação destes aspectos que surge a sua individualidade. O Psicólogo Clínico não prescreve medicação, mas tem competências para aconselhá-lo acerca da eventual necessidade de procurar um psiquiatra ou médico de família.

Os anti-depressivos e os ansiolíticos constituem os psicofármacos mais consumidos pela população, e muitas vezes um acompanhamento psicoterapêutico seria o suficiente. Noutras situações é benéfico para a pessoa que esta concilie a terapêutica farmacológica com o acompanhamento psicoterapêutico.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Consulta de Psicologia Online (Skype)


Com o crescimento das vantagens nas tecnologias de informação e internet, as consultas de psicologia online têm-se tornado uma opção alternativa em algumas situações específicas de impossibilidade ou dificuldade de obter uma consulta presencial. É o caso de:

- Portugueses que residem no estrangeiro, em que a língua materna é neste tipo de serviço fundamental para uma comunicação e compreensão eficazes; 

- Pessoas que residem em locais mais isolados e distantes do acesso à consulta presencial;
- Pessoas que não se podem deslocar fisicamente ao consultório por motivos de saúde ou outros;
- Necessidade de um contacto inicial mais reservado;

As consultas presenciais não devem ser substituídas por este método, pois permitem uma maior proximidade na expressão de sentimentos e emoções e são vantajosas na relação terapêutica entre o psicólogo e o paciente. No entanto, todos devem ter acesso à possibilidade de receber aconselhamento psicológico e, por outro lado, em algumas pessoas o atendimento à distância permite uma maior facilidade na comunicação directa dos motivos de preocupações devido ao formato menos "real" do contacto virtual. Pode ser ainda um ponto de partida para que posteriormente o cliente se desloque ao consultório com mais segurança.

Para efectuar uma marcação de consulta online basta enviar email com o pedido e posteriormente serão fornecidas todas as informações necessárias relativamente a horários disponíveis e modo de pagamento. Dá-se preferência à utilização do Skype, ainda que possam ser utilizadas outras alternativas. Cada sessão tem uma duração de 50 a 60 minutos e um custo único de 35 euros.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Solidão

A existência de momentos em que estamos sozinhos pode ser sentida como gratificante, permitindo-nos estar em contacto connosco próprios, com os nossos pensamentos, momentos de lazer individuais ou até mesmo como forma de nos afastarmos temporariamente de quem nos rodeia, inclusive daqueles que gostamos.
É saudável sentirmos felicidade nas situações em que disfrutamos simplesmente da nossa companhia.
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Isto difere da solidão. Quando uma pessoa vivência este tipo de sentimento, relata dificuldade em sentir-se acompanhada, mesmo que em alguns momentos várias pessoas estejam à sua volta. Há uma sensação contínua de vazio e de perda de sentido que tanto pode estar a ser involuntariamente provocada pela própria pessoa ou por circunstâncias externas que não consegue controlar. Essas circunstâncias tanto podem assentar numa mudança de residência como na perda de laços afectivos e podem ser pouco duradouras se a pessoa tiver anteriormente aprendido a comunicar com os outros e a estabelecer ligações.
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Quando a solidão é sentida desde muito cedo no desenvolvimento da pessoa, pode levar ao reforço do problema enquanto padrão emocional e de comportamento e estar muito presente ao longo da vida. Nestes casos a pessoa precisa de ser ajudada a identificar porque motivo não teve a oportunidade de se sentir mais acompanhada, compreendida e ligada a um círculo de pessoas com quem se consiga identificar e de que forma poderá a pouco e pouco alterar o seu funcionamento habitual.
Por exemplo, um sentimento de exclusão em idades precoces pode levar a criança ou jovem a habituar-se a contar consigo própria e a não partilhar o que pensa e sente. Com o passar do tempo, torna-se automático não considerar a possibilidade de se envolver noutros grupos que poderiam reduzir ou até mesmo eliminar o sentimento inicial, por percepção prévia de inadequação. A ausência de ligações passadas diminui a possibilidade de criar novas ligações no futuro e assim sucessivamente, podendo-se tornar muito complicado iniciar todo o processo já na idade adulta em que por diversos motivos há menos oportunidades de espontâneamente criar amizades.
Por outro lado, a solidão gera solidão e quanto mais sozinhos nos sentimos, mais sozinhos procuramos ficar.
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Na vida adulta, a existência de uma relação amorosa satisfatória e eventualmente a formação de uma família para além da de origem, é também um factor muito importante no que toca à solidão. O ser humano geralmente necessita de estabelecer este género de vínculos para amar e sentir-se amado de uma forma mais profunda, presente e permanente, assim como de criar um sentido de continuidade através de filhos. No entanto, isto são traços gerais, pois há obviamente muitas pessoas que encontram felicidade em formatos menos tradicionais.
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No idoso, a solidão pode ser completamente devastadora, na medida em que é uma fase da vida em que não se procura tanto estabelecer novos contactos, mas sim viver com satisfação as amizades e relações feitas ao longo de uma vida. Infelizmente não são apenas os idosos que não têm família que sofrem de um total isolamento, pois verifica-se que esta faixa etária tem vindo a ser menos respeitada dentro do próprio núcleo familiar. Há uma espécie de consenso entre várias pessoas de que não podemos travar as nossas vidas por causa dos idosos e isto consegue ser mais doloroso do que não ter familaires. Uma velhice sem lugar, sem amor e afecto levará inevitavelmente a uma pobre qualidade de vida e à incidência da depressão.
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As mudanças sociais revelam, no entanto, que independentemente da idade a solidão tem-se vindo a acentuar cada vez mais e que a modernidade nos permite ter amis contactos, mas também vivê-los de forma muito mais superficial.
Os divórcios, as mudanças constantes de escolas e de locais de trabalho e um menor sentido de comunidade decorrente principalmente das grandes cidades, são factores que contribuem para o isolamento e consequentemente para a solidão. Se por um lado estamos mais orientados para a procura de satisfação pessoal, e daí termos vidas com mudanças constantes e supostamente para melhor, por outro lado apercebemo-nos de que essa procura pode trazer ao mesmo tempo menos disponibilidade para criar e manter relações.
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É-nos também transmitida a ideia errada de que um elevado número de experiências diferentes é sinónimo de felicidade, o que pode levar à ansiedade de saltar rapidamente de uma vivência para outra sem retirar o que cada uma delas nos pode verdadeiramente dar. Isto significa que na globalização em que vivemos precisamos de adquirir um filtro que nos ajude a detectar o essencial do acessório, ou seja, a depender mais das necessidades internas do que de exigências sociais externas. Se o fizermos, é bem provável que a nossa agenda esteja menos cheia mas que também nos possamos sentir menos sozinhos.
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Quando a pessoa sente que está permanentemente com um sentimento de solidão, é aconselhável procurar a ajuda de um profissional. A compreensão do que originou esse problema é por si só um motor para a redução desse sentimento e as perspectivas do que poderá ser mudado o outro grande passo para que a situação se resolva.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Preços, descontos, parcerias, seguradoras e ADSE

Este consultório proporciona, em consultas de Psicologia Clínica, diversos descontos e promove parcerias com diferentes empresas e instituições.
Assim, praticam-se descontos nas seguintes situações:

- Estudantes, séniores e desempregados;

- Seguros de Saúde (Médis, Multicare, AdvanceCare, SaudePrime, AllianzSaude, Medicare, entre outros);

- Benificiários da ADSE, ADM ou SAMS (desconto directo e posterior comparticipação que está tabelada pelo respectivo serviço);
- Sócios dos Serviços Sociais da PSP

- Sócios da AMI (Assistência médica internacional)

- Sócios da APF (Associação Portuguesa de Fertilidade)

- Clientes do Vou Nascer (Apoio na gravidez e parentalidade)

- Sócias da Associação Projecto Artémis

- Sócias do ginásio VIVA FIT

- Sócios da ASPL (Associação Sindical de Professores Licenciados)

- Sócios do SNPL (Sindicato Nacional de Professores Licenciados)

Para mais informações sobre os preços em cada uma destas situações contactar o 914675354 ou enviar email para psi.ritadias@gmail.com.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Bullying - Violência física e/ou psicológica

A expressão Bullying é de origem Inglesa, não tendo tradução directa para Português, mas basicamente serve para descrever actos de violência física e/ou psicológica que são feitos com a intencionalidade de agredir, humilhar e maltratar alguém que não se consiga defender.
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O Bullying pode ocorrer em diversos contextos, como por exemplo entre adultos no local de trabalho, não sendo exclusivo de crianças e adolescentes. No entanto, tem sido no espaço escolar que este fenómeno tem gerado maior preocupação, pela frequência com que acontece e porque na realidade as crianças de hoje serão os adultos de amanhã.
Também não consiste apenas em agressões fisicas,como habitualmente ouvimos falar. Pode passar por insultar, estragar o material de um colega, perseguir uma pessoa, fazer comentários racistas e descriminatórios, gerar boatos ofensivos, etc.
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As consequências de maus-tratos sucessivos, persistentes e continuados, podem ser muito nefastas no desenvolvimento psicológico e emocional tanto da vítima como do agressor. Uma infância ou adolescência marcada pela violência, traz inevitavelmente marcas que acabarão por se manifestar não só no presente, mas também no futuro.
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Muitas vezes, a vítima de Bullying receia represálias se contar o que se está a passar e acaba por perpetuar um ciclo que poderia ser travado se os pais, professores ou técnicos especializados tivessem conhecimento. Se sabemos que essa é uma realidade, convém estarmos atentos a alguns sinais que a criança possa manifestar, nomeadamente alterações no seu comportamento.
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Em relação ao agressor, a preocupação não é menor, pois se uma criança ou jovem sente necessidade de exercer poder sobre outra, ao ponto de a perseguir e violentar, significa que algo no seu desenvolvimento não está a decorrer normalmente. Aliás, vários estudos apontam que uma criança violenta tem muitas probabilidades de se tornar um adulto violento, sendo que em alguns casos pode até entrar num processo de delinquência e criminalidade.
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Com a era nas novas tecnologias, o Bullying já não se limita às escolas, mas por extensão destas mantem-se noutros contextos, nomeadamente através da internet. É o chamado Cyberbullying, em que a pessoa continua a ser "enxovalhada" através das redes sociais como o Myspace, Facebook, Hi5, entre outros. Sabemos que hoje em dia, estas redes são um elemento importante na socialização e contacto entre jovens, pelo que acabam também por ser uma fonte previligiada da continuaçao dos problemas existentes entre os alunos nas escolas ou entre colegas e amigos fora destas.
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A prevenção e o acompanhamento de casos instalados são prioritários e podem evitar que se desenvolvam sentimentos e comportamentos alterados não só na infância e adolescência, como na idade adulta. Quase sempre a vítima tem dificuldades em se proteger e necessita de adquirir mecanismos psicológicos de defesa.
São vários os adultos que hoje recorrem a um psicólogo, pelas dificuldades de auto-estima, auto-confiança e de relacionamento com os outros, provocadas por um passado marcado por episódios traumáticos.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Psicoterapia - Acompanhamento Psicoterapêutico

Este tipo de acompanhamento permite um processo de crescimento e desenvolvimento pessoal privilegiado, no sentido em que a pessoa procura obter junto do terapeuta mudanças internas positivas e significativas, que lhe ofereçam uma maior qualidade de vida e felicidade.
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Estas mudanças podem demorar algum tempo a ser alcançadas, pois ao longo da nossa vida adquirimos padrões de funcionamento e mecanismos de defesa que frequentemente se revelam disfuncionais, mas que mesmo assim são aqueles que aprendemos e conhecemos e constituem a forma como vemos o mundo. Apesar desses padrões nos poderem provocarem sofrimento e mal-estar, estão muitas vezes tão enraizados que necessitam de uma alteração ao nível de algumas manifestações da personalidade. Isto implica trabalhar crenças, pensamentos, sentimentos e acções, que apenas podem ser conduzidos num espaço de compreensão, empatia, exploração e partilha.
.Por estes motivos, num processo psicoterapêutico deste género, a regularidade das sessões e comprometimento pessoal são pontos-chave no sucesso da terapia e consequentemente no aumento da qualidade de vida da pessoa.

domingo, 5 de abril de 2009

Apoio e Aconselhamento Psicológico

Por vezes deparamo-nos com circunstâncias de vida que ultrapassam a nossa capacidade de resposta, sendo que este tipo de apoio e aconselhamento tem por objectivo promover o bem-estar psicológico de qualquer pessoa que esteja a atravessar uma situação difícil e/ou problemática. Nem sempre é necessário recorrer a uma terapia prolongada, sendo que, em algumas situações específicas, uma intervenção imediata com recurso a algumas estratégias, permite que o foco do problema seja precocemente identificado e resolvido.

Quando a pessoa sente que algo está a interferir significativamente com a sua vida e que não está a conseguir ultrapassar sozinha essa situação, é importante que recorra a ajuda profissional no sentido de minimizar ou mesmo terminar com a causa do problema.

sábado, 28 de março de 2009

Aconselhamento Parental

Como educar uma criança? Todos os pais passam pela experiência de, em determinadas alturas, não saberem qual a melhor forma de agir com os filhos e com os múltiplos desafios e exigências que isso implica. Mesmo após um primeiro filho, cada novo elemento na família traz mudanças fundamentais ao seio familiar que podem ser vividas com maior ou menor dificuldade. Independentemente dos obstáculos, a verdade é que os filhos não trazem na altura do nascimento um "manual de instruções" que nos permita definir previamente a melhor forma de lidarmos com eles. É uma constante adaptação que tem de ser encarada como uma contínua aprendizagem de todos os intervenientes da família. Cada filho acaba por formar a sua própria individualidade, sendo que isso transcende largamente comportamentos à semelhança dos seus pais e que vão ao encontro das suas expectativas. Uma maior flexibilidade a este respeito permite que se encontre um equilíbrio entre as suas próprias "teorias educacionais" e os objectivos, capacidades, temperamento e sentimentos da criança.
É importante que os pais tenham noção das diferentes transformações desenvolvimentais por que o filho está a passar, nomeadamente das suas competências e limitações, assim como das tarefas apropriadas a cada fase, para poderem educar o seu filho com tranquilidade mas também com persistência. Esta tarefa constante e diária exige uma combinação de factores pessoais e relacionais que têm de ser suportados por uma estabilidade emocional razoável tanto da figura materna como paterna.
Por vezes, os pais avaliam-se como pouco capazes de transmitir as suas vontades e regras, reforçando a ideia de que os filhos já nasceram com tendência a ser teimosos, irrequietos ou mal comportados e que não há nada a fazer em relação a isso. Outros, relativizam demasiado certos comportamentos, tendo a ideia de que com a idade tudo irá passar e que o problema se resolverá por si só. Também há aqueles que sentem a educação do filho com ansiedade e que pelo contrário valorizam e analisam excessivamente os comportamentos deste e os seus possíveis significados.
Educar uma criança exige muita disponibilidade, energia e tolerância às frustrações. No entanto, não nos podemos esquecer que os próprios pais, durante esse longo período de educação, estão igualmente a passar por transformações e também têm de responder a desafios pessoais, profissionais, financeiros, de relação com o cônjuge, entre outros.
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A gestão de todos estes processos pode levar à necessidade de procura de aconselhamento de profissionais habilitados a orientar e esclarecer os pais, quanto a possíveis dúvidas ou mesmo dificuldades quanto a diversas questões que surjam na dinâmica familiar e no comportamentos dos filhos. Este aconselhamento pode ser feito somente com os pais ou, dependendo da problemática, também com sessões individuais com os filhos. Pode não ser necessária uma intervenção terapêutica com os filhos, mas a intervenção com os pais é sempre indispensável, pois são estes que vão ter um papel fundamental na alteração ou adaptação de rotinas e estratégias na educação parental.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Mentira e Furto de Crianças

Algumas situações preocupam frequentemente os pais, como é o caso de mentiras e roubos que as crianças por vezes manifestam. Devido ao impacto social que têm e ao embaraço que podem provocar, a tendência é para punir estes sintomas, muito mais do que compreendê-los e tentar perceber porque motivo acontecem.
É preciso ter em atenção que, tal como em quase todo o tipo de comportamentos, a gravidade destes sintomas depende essencialmente da frequência, intensidade e também da idade em que a criança ou adolescente os revela. Mentiras ou pequenos furtos (como por exemplo tirar um lápis a um colega ou um brinquedo) durante a infância não determinam motivo para preocupação. No entanto, se a preocupação surgir e se os comportamentos permanecerem, principalmente em crianças mais velhas, um psicólogo poderá avaliar qual o significado latente dos mesmos e se é ou não necessário intervir junto da criança e dos pais.
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A necessidade de mentir e/ou roubar poderá estar associada a uma forma de compensar algo que possa estar a ser sentido como uma falta. Na mentira, a criança tem a oportunidade de imaginar uma fantasia e de idealizar aquilo que deseja. A insatisfação perante alguma circunstância da realidade pode levar a sentimentos negativos, que quando não são tolerados transformam-se numa fantasia, ou seja, numa mentira que passa a ser vivida pela criança como fazendo parte de si.
Se a mentira surgir de forma muito repetida e inadequada, significa que a criança está em sofrimento e a precisar de negar a sua realidade.
Com os roubos acontece algo de semelhante, mas com a diferença de que a criança compensa-se a si mesma através de um objecto e não apenas de uma idealização. O objecto que é roubado pode até não ter nenhum valor material, mas tem um valor simbólico e um importante significado para a criança. Quando esta rouba um objecto de um amigo poderá por exemplo sentir que ao possuir algo dele, possuirá também algumas características que considere mais positivas, como ser mais sociável, bom aluno, popular, admirado pelos pares, entre outros. No fundo, de forma a sentir-se mais valorizado pelos outros colegas. Alguma perda ou ausência traumática pode estar na origem deste comportamento, mas a sensação de desvalorização pessoal é o mais frequente.
Há também as situações em que ao levar objectos de casa para dar aos amigos, a criança demonstra uma baixa auto-estima no sentido de ser uma forma de os agradar e tentar aproximar-se deles. Poderá sentir que as suas próprias características não são suficientes para que os outros gostem de si.
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Como foi dito inicialmente, punir estes comportamentos por si só não será suficiente para resolver o problema, pois não haverá espaço para se compreender verdadeiramente o que se está passar com a criança e para actuar na origem do que despoletou as mentiras ou os furtos. Se tiver dúvidas sobre como agir, procure um especialista.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O divórcio dos pais

As figuras parentais são fundamentais na forma como se vão desenvolver os principais processos psíquicos da criança. O núcleo emocional e afectivo de uma criança terá como base não só na relação que os pais estabelecem com esta, assim como a relação que o casal estabelece um com o outro.
As falhas de relação ou ausência de interacções protectoras e securizantes na fase de uma separação, podem resultar em dificuldades que a criança terá no relacionamento com amigos, familiares ou professores, assim como com ela própria.

O divórcio dos pais, quando é mal integrado pela criança, pode trazer alterações e sequelas que comprometam todo o seu crescimento. Ainda que o divórcio seja somente entre os pais, a criança fica confusa quanto à forma como vai gerir o que dentro dela continua bem junto e unido (pai e mãe).Poderá haver tentativas sucessivas de reaproximar os pais e negação quanto à realidade da separação. Ao contrário do luto, em que há uma perda definitiva de alguém amado, na separação a criança mantém a possibilidade de algo que possa ser reversível, alimentando a esperança e a ilusão. A perda pode não ser imediatamente sentida com a mesma intensidade do luto, mas mantém-se presente de uma forma intermitente enquanto a criança não aceitar o divórcio dos pais. Isto impede-a de tranquilamente dedicar-se aos seus pensamentos, fantasias e brincadeiras, para poder investir e dedicar grande parte do tempo a imaginar e tentar uma reaproximação entre os pais.
Ainda que o divórcio seja indubitavelmente a melhor opção que o casal defina, e se calcule que a criança viva num ambiente mais saudável sem as constantes brigas conjugais, na verdade nem sempre o divórcio garante à partida um clima de maior serenidade e estabilidade. Por vezes, o divórcio é uma continuidade ou mesmo o começar de conflitos persistentes em que a criança passará a ter o papel de elo intermediário entre os dois.

É frequente a alteração de comportamentos por parte da criança, numa fase de divórcio ou separação entre os pais (má disposição, choro fácil, menor rendimento escolar, desobediência muito persistente, inquietação, entre outros).
Por estas e outras razões, um processo terapêutico com a criança paralelamente a um aconselhamento parental, poderá evitar a evolução de consequências problemáticas no seu desenvolvimento.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Perturbação de Pânico - Crises de Ansiedade

A perturbação de pânico define-se pela existência durante um certo período de tempo de um intenso medo ou desconforto, que é acompanhado por uma sensação de perigo ou catástrofe iminente e por um impulso para a fuga. O início das crises é súbito e atinge em poucos minutos um pico de maior intensidade dos sintomas. Nesta perturbação ocorrem, assim, crises de pânico inesperadas em que a pessoa desenvolve um grande medo de que essas crises se voltem a repetir, assim como uma preocupação excessiva quanto às possíveis consequências destas e receio de que possam trazer algum tipo de alteração comportamental.

Há uma sensação de impotência, em que a pessoa acredita que não consegue controlar o seu próprio corpo nem os seus pensamentos e que a qualquer momento e em qualquer sitio pode estar sujeita a uma crise que leve a comportar-se de forma embaraçosa como tremer, gritar ou fugir em situações públicas. Os sintomas mais frequentes são:

- Taquicardia;
- Tonturas;
- Tremor;
- Náuseas;
- Arrepios ou calores;
- Falta de ar ou sufoco;
- Sudação;
- Dor torácica;
- Medo de enlouquecer;
- Medo de morrer;
- Despersonalização (irrealidade) ou desrealização (desligado de si próprio);
- Parestesias (formigueiros).

O diagnóstico da perturbação de pânico pode apresentar uma grande diversidade de casos clínicos. Contudo, as características mais comuns são a recorrência das crises de pânico, a ansiedade por antecipação, a depressão secundária, o evitamento agorafóbico e a atitude hipocondríaca que a pessoa começa a desenvolver.

No caso da ansiedade antecipatória, esta traduz-se pelo "medo dos sintomas de medo" e torna-se uma constante em quem sofre da perturbação de pânico, porque após a primeira crise a maioria das pessoas desenvolve uma preocupação persistente de voltar a experimentar os sintomas da crise.

A agorafobia também acompanha frequentemente a perturbação de pânico, na medida em que a pessoa fica ansiosa relativamente a determinados lugares ou situações em que a fuga possa ser difícil, ou onde não possa ter ajuda diponível, no caso de ter uma crise inesperada. Isso faz com que se comecem a evitar certas situações, pois estas são encaradas com um intenso receio e mal-estar.

Existe uma relação estreita entre as perturbações de pânico e a depressão porque as pessoas apresentam com frequência sentimentos de tristeza e culpa devido às dificuldades e limitações que esta perturbação acarreta no quotidiano. Cria-se a expectativa de que as crises vão estar presentes ao longo de toda a vida e esta co-morbilidade pode agravar a perturbação de pânico preexistente.

Em relação às preocupações hipocondríacas têm origem nos sintomas somáticos que acompanham as crises, que passam pela consciência desconfortável ou anormal dos batimentos cardíacos (taquicardia, extra-sístoles, batimentos cardíacos mais fortes, sensação de batimentos irregulares e sensação de pulso forte no pescoço); pela sensação de sufoco ou nó na garganta; ou pela sensação de tontura, desquilíbrio, instabilidade ou desmaio. Há uma tendência para interpretar de forma catastrófica as sensações corporais e um acentuado receio e convicção de sofrerem de um problema médico grave.

As crises de pânico iniciais podem ocorrer em transportes públicos, múltidões, cinemas, elevadores ou túneis. No entanto, podem ter lugar em qualquer contexto, inculsivamente em casa. Os factores precipitantes normalmente ocorrem num período da vida da pessoa em que esta está sujeita a um grande nível de stresse (doença grave, separação, problemas financeiros ou profissionais, sobrecarga de responsabilidades). Estas situações fazem com que a perturbação se instale mais facilmente, mas não estão na base da origem desta por si só.

Com um tratamento psicológico apropriado e compreensão do que está na base e origem dos sintomas, a maioria das pessoas melhora significativamente a sua qualidade de vida. Por vezes, há também a necessidade de recorrer a tratamentos psicofarmacológicos combinados com a terapia psicológica, em casos em que os sintomas já são despoletados muito automaticamente e indiscriminadamente. O cérebro aprende a despoletar esse gatilho e nem sempre os recursos internos se revelam suficientes. Ainda assim, mesmo que a medicação seja uma alternativa, por norma basta um tratamento transitório.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Co-dependência no feminino

A Co-dependência, também conhecida por "mulheres que amam demais"
(Robin Norwood), é uma incapacidade que algumas mulheres têm para viver relacionamentos amorosos saudáveis, com uma tendência constante para se apaixonarem por pessoas muito problemáticas e ficarem presas emotivamente a estas mesmas pessoas.

Nestas mulheres, existe uma atracção por parceiros que sejam ausentes, negligentes, imaturos ou mesmo violentos (fisicamente e/ou verbalmente). De uma forma inconsciente, há uma necessidade de perpetuar uma série de emoções negativas que estes parceiros lhes provocam, como forma de se manterem num "equilíbrio" enganador, que lhes traz sofrimento e angústia ao longo de toda uma vida.

A questão que se coloca imediatamente é: porquê? Porque é que uma mulher se mantém com um homem tão problemático? Porque é que depois de muitas experiências de humilhação, continua a gostar daquela pessoa que a mal trata?
Esta opção, muitas vezes, não é uma atitude consciente e racional por si só. Com frequência estas mulheres sabem que sofrem e continuarão a sofrer, só que atribuem isso ao amor que sentem pela outra pessoa e não tanto à dependência que entretanto criaram.

Um envolvimento com um parceiro que não seja problemático pode tornar-se para estas mulheres insípido, aborrecido e monótono, porque não contem o dramatismo, a luta diária e a incerteza que geram para se sentirem vivas. Considera-se que esta tendência está relacionada com padrões disfuncionais familiares do passado, e que quanto maior o sofrimento da criança no passado, maior a probabilidade de na idade adulta a mulher reproduzir esses mesmos padrões com novos companheiros.

No fundo, esta é uma forma de dependência tão auto-destrutiva como no abuso de substâncias, alcoolismo ou vício do jogo, estando a diferença no "objecto" em que essa dependência é depositada. Torna-se uma relação do género "chave-fechadura" e que acaba por se prolongar no tempo ou mesmo uma vida toda, porque a mulher sente necessidade de assumir um papel maternal e cuidador para com o companheiro problemático, e este, por sua vez, precisa de uma mulher que manifeste características de dependência e vulnerabilidade psicológica. Ao contrário do que se possa pensar, esta relação é prejudicial para ambos, pois a mulher ao permitir-se ser mal tratada também alimenta a manutenção dos comportamentos negativos do parceiro.

Apesar de ser menos frequente, há homens que também sofrem de co-dependência. Acredita-se que não seja tão visível e que mais facilmente se mantenha dentro de "4 paredes", porque socialmente ainda existe uma conotação muito negativa para o homem que é sujeito a maus-tratos (quer físicos, quer psicológicos). Permanece ainda o estereótipo de que é só a mulher que passa por estas situações.

Nestes casos de co-dependência, a ajuda psicológica torna-se fundamental porque é natural que a pessoa sinta um enorme vazio e imensas alterações emocionais quando se tenta comportar de forma mais firme com o companheiro ou quando quer uma separação. Há, aliás, quem se mantenha na co-dependência a vida toda para não ter de passar pelo angustiante processo de separação. A pessoa acredita que não aguentará viver sem essa pessoa e acaba por se conformar pelo profundo medo da mudança.
A terapia ajudará ainda a que a mulher se comece a questionar sobre a razão que a levará a sentir-se atraída por homens com determinadas características negativas e a perceber a origem desse comportamento, de forma a ultrapassá-lo. Como diz Maria do Rosário Dias "não podemos escolher a família nem alterar o que está para trás nas nossas vidas, mas podemos escolher as pessoas com quem nos relacionamos pela vida fora".

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Perturbações da Linguagem

Quando a criança não tem qualquer patologia, a aquisição da linguagem desenvolve-se de acordo com algumas etapas extremamente regulares:

- A Pré-linguagem: Vai desde o nascimento do bebé até ao aparecimento da 1ª palavra, que pode acontecer entre os 9 e os 18 meses. O mais frequente é aos 12/13 meses. A pré-linguagem começa pelo choro, em que a criança limita-se a manifestar algum tipo de sensações (mal-estar, impaciência, satisfação, etc). Mais ou menos por volta do 2ºmês, aparecem as primeiras vocalizações espontâneas, em que a actividade fonatória começa a diferenciar-se (lalação, balbuceio). Na lalação, o bebé tenta vocalizar todos os sons possíveis, e progressivamente vai reduzir o leque de sons, para tentar repetir apenas aqueles que ouve. A partir dos 6/8 meses surge a ecolália, em que se constrói uma espécie de diálogo relativamente homogéneo entre o bebé e os pais.

- A Primeira Linguagem: As primeiras palavras por vezes surgem na ecolália (papá, mamã, mais, dá...), e aos 12 meses a criança poderá saber dizer entre 5 a 10 palavras. Por volta dos 18 meses surgem as primeiras combinações de duas palavras como "óó-bebé", ao mesmo tempo que surge a negação, em que a criança utiliza a palvra "não" constantemente. Pouco a pouco esta esteriotipia dá lugar a uma maior organização linguística.

- A Linguagem: É a etapa mais longa e complexa, em que existe um enriquecimento não só na quantidade de palavras como também na aprendizagem do seu significado. As estruturas elementares da linguagem vão sendo cada vez menos frequentes e cada vez mais a criança se assemelha à linguagem do adulto. Entre os 4 e os 5 anos a organização sintática da linguagem torna-se bastante rica, em que a linguagem explícita sem acesso a informações exteriores, basta por si só.

No desenvolvimento desta 3ª etapa poderão evidenciar-se perturbações da linguagem, que podem ser mais ou menos transitórias e que impedem uma evolução natural na progressão linguística da criança. Essas perturbações poderão afectar igualmente a escrita e incluem: as perturbações da articulação; as perturbações da fluência; o atraso da fala; o atraso simples da linguagem; as disfasias graves; a dislexia-disortografia; a gagez e o mutismo.
O psicólogo poderá ajudar a despistar e a fazer o diagnóstico deste género de perturbações, relacionando-as com questões afectivas e relacionais que eventualmente necessitem de um processo psicoterapêutico. Em situações específicas será indicado o encaminhamento para um terapeuta da fala.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Agressividade Infantil

Qualquer criança, independentemente da educação que tenha, começa a possuir a partir determinada altura fantasias agressivas, que são inatas e instintivas. Estas são visíveis através do brincar, em que utilizam expressões como "agora tás morto, já te matei", ou brincam às guerras ou aos acidentes.

Normalmente, os primeiros comportamentos agressivos surgem aos 2/3 anos de idade e manifestam-se através do morder, gritar, empurrar, arranhar ou bater, e com o tempo, o natural é que estes comportamentos comecem a desaparecer.
Porém, em algumas crianças isso não acontece e estas continuam a revelar-se violentas, partem objectos e agridem os colegas ou mesmo membros da família. Em casos extremos a atitude da criança acaba por comandar toda a família, em que os pais poderão criar sentimentos de impotência face à situação, ficando sem saber como reagir.

Por vezes os comportamentos agressivos manifestam-se de uma forma selectiva, ou seja, só em determinados locais ou com algumas pessoas, mas em outros casos torna-se mais grave porque a criança demonstra não possuir uma mínima tolerância à frustração, reagindo de uma forma violenta à mínima contrariedade. Num grau mais elevado, esta intolerância pode surgir com situações ínfimas do quotidiano, como por exemplo o desaparecimento de um brinquedo ou pelo simples facto da cadeira em que se costuma sentar à mesa não ser a mesma.

Quando a criança manifesta uma agressividade excessiva, torna-se importante perceber o contexto em que esta ocorre e verificar se existe no seu convívio familiar e escolar alguma situação que esteja a desencadear e manter este comportamento. Desta forma, o psicólogo poderá ajudar a criança a adquirir atitudes alternativas de canalização da agressividade, ao mesmo tempo que orienta os pais a interferirem na situação e a adoptarem uma postura que vá ao encontro da minimização do comportamento agressivo da criança.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Enurese e Encoprese


Cada criança tem um desenvolvimento único e particular, ainda que as etapas do seu crescimento ocorram normalmente dentro de padrões mais ou menos estabelecidos.
Em relação ao controlo voluntário dos esfíncteres, este ocorre, na maioria das crianças, entre os 2 e os 4 anos de idade, primeiro durante o dia e depois também durante a noite. O desenvolvimento deste controlo depende de vários factores, nomeadamente ao nível da neurofisiologia, da própria cultura e da relação afectiva e emocional com as pessoas significativas.

Quando a criança demonstra dificuldades nesta etapa do seu desenvolvimento, podem-se originar perturbações esfíncterianas, conhecidas como a Enurese e a Encoprese.
A Enurese define-se pela emissão activa completa e não controlada de urina, após a idade de maturidade fisiológica. Por vezes a enurese é somente nocturna, outras vezes é diurna e em alguns casos ocorre tanto de dia como de noite. Em termos de frequência, a enurese pode ser diária, irregular ou intermitente (esta última normalmente transitória).
A Encoprese é mais rara e grave do que a enurese e consisite na defecação nas cuecas em crianças que já ultrapassaram os 3 anos de idade. Na maioria das vezes ocorre durante o dia e precede-se a uma fase em que a criança já teve a capacidade de conter as fezes. Quanto à frequência, esta pode ser diária ou pluridiária, ainda que o mais comum seja intermitente, estando relacionada com determinados episódios de vida da criança (stresse, angústia, insegurança...).

Tanto a enurese como a encoprese podem e devem ser tratadas, pelo que um psicólogo poderá ajudar a criança e os pais a lidarem com este problema. A criança adquire a aprendizagem, através dos pais e educadores, de que a determinada altura se deve fazer xixi e cocó no bacio, e esta constitui uma das primeiras censuras que enfrenta, fazendo prever também outras responsabilidade futuras normais do desenvolvimento. Poderá ser exercida sobre a criança uma pressão na aquisição da higiene, que será sentida como mais ou menos severa, de acordo com preocupações mais ou menos excessivas dos pais nessa tarefa. Por outro lado, a urina e as matérias fecais são normalmente um reflexo de veiculação da carga afectiva e do ambiente familiar, que poderá conter aspectos negativos e positivos. Nenhum ambiente familiar é totalmente positivo, faz parte da vida e do ser humano existirem sempre alguns aspectos negativos. No entanto, e caso não haja algum trauma externo e que foge ao controlo da família, se os positivos predominarem e esta nova etapa for encarada com descontracção, a aquisição do controlo esfincteriano será feita de uma forma natural e prazerosa para a criança.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Emagrecimento e Nutrição

O comportamento alimentar consiste no tipo de alimentos que cada pessoa ingere e na forma como o faz, enquanto que a nutrição está relacionada com uma alimentação equilibrada e saudável. À partida, o comportamento alimentar deveria estar relacionado com os mecanismos de fome e saciedade, ou seja, a pessoa alimentar-se-ia somente quando tivesse fome. Porém, tal nem sempre acontece, e na verdade existem uma série de factores emocionais, como a ansiedade, o stresse, os estados de humor depressivos, entre outros, que vão influenciar de forma negativa o comportamento alimentar da pessoa.
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Por vezes a comida assume um papel de redutor de ansiedade, em que a pessoa come mesmo que não tenha fome, como forma de aliviar esse estado emocional, obtendo assim uma fonte de prazer temporária. Se a ansiedade não for tratada, a pessoa vai continuar a utilizar este mecanismo para obter uma satisfação imediata. Torna-se um ciclo vicioso, porque por um lado a pessoa quer ter uma alimentação saudável, mas por outro é confrontada com estes acessos de "gula".
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Assim, podemos dizer que é devido aos factores psicológicos, que muitas pessoas tentam seguir uma dieta feita por técnicos de nutrição especializados, mas depois não conseguem cumpri-la durante muito tempo. Com a orientação nutricional, a pessoa sabe exactamente aquilo que deve ou não deve fazer, mas sente-se incapaz de manter essa dieta, e sente que "algo mais forte" a está a impedir de prosseguir.
Muitas vezes assiste-se a um sucesso rápido, em que inicialmente a pessoa consegue perder peso, mas com o passar do tempo é frequente que esta situação se inverta e a pessoa volte ao seu peso inicial ou ainda a um peso maior. Após sucessivas tentativas, há tendência a desistir, e a pessoa deixa de acreditar que algum dia conseguirá emagrecer.
Manter um peso saudável não pode ser encarado como um esforço ou um sacrifício enorme para toda a vida. Logo, se ao longo do tratamento nutricional e de reeducação alimentar, a pessoa tiver acompanhamento psicológico, as probabilidades de sucesso aumentam exponencialmente. Isto porque no acompanhamento psicológico são tratados diversos aspectos emocionais e comportamentais que actuam directamente na relação que a pessoa desde sempre se habituou a estabelecer com a comida. O objectivo passa por permitir a alteração de comportamentos que conduzam a uma melhor qualidade de vida, que é essencial não só na perda de peso, como na sua manutenção ao longo da vida.
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A Psicologia e a Nutrição devem estar de "mãos dadas", para que a pessoa tenha ao seu dispor todas as vertentes essenciais para um emagrecimento saudável. A Nutriçao ensina a saber comer e a Psicologia ensina a saber estar com a comida e consigo próprio(a).

sábado, 22 de setembro de 2007

Estética e Auto-Imagem

Nos dias de hoje assistimos a um crescimento muito rápido de centros de estética e de beleza, que reflectem o espelho das necessidades que surgem na nossa sociedade. Estes centros são cada vez mais procurados, não só pelas mulheres mas também pelos homens e, em parte, devido à influência diária exercida pela moda, publicidade, novelas ou cinema. Mesmo que conscientemente nos pareça que não somos afectados por essas influências, a verdade é que estas acabam por definir um padrão de beleza que vai sendo interiorizado e enraizado desde a mais tenra idade, sem que disso nos apercebamos.

Todos os dias, crianças, jovens e adultos assistem a propagandas ou anúncios de imagens idealizadas e que são tomadas como as mais desejáveis. Apesar de sabermos que a beleza é relativa e que “o que é belo para um não tem de ser belo para o outro”, existem estereótipos de beleza que são sentidos por algumas pessoas como algo a ser atingido.

A auto-imagem é a visão que temos de nós mesmos, baseada em experiências do passado, em vivências presentes e em expectativas futuras, sendo que a percepção e descodificação que fazemos desta é fundamental na nossa auto-estima e no nosso comportamento social e pessoal. Podemos defini-la como a imagem que formamos na nossa mente acerca do nosso corpo, e este retrato mental que a pessoa faz de si mesma vai reflectir-se na relação com ela própria e com os outros. Sabemos que o físico e o psíquico estão de mãos dadas, pelo que sentimentos de inferioridade e de falta de confiança provêm muitas vezes duma inadequação corporal que é sentida como insatisfatória.

Podemos dizer que a auto-imagem é adequada quando existe uma coerência entre o que se observa objectivamente e a visão que a pessoa tem de si, ou seja, o grau de percepção vai ao encontro do grau de realidade. Se assim for, a pessoa tem capacidade para reconhecer os seus pontos positivos e negativos, e para se valorizar nos positivos. Neste sentido, a utilização da estética só pode ser considerada positiva quando uma intervenção na imagem exterior traz benefícios ao bem-estar interno da pessoa e quando esta consegue, de uma forma realista, distinguir uma melhoria na sua imagem de uma mudança idealizada e ilusória.

A vida moderna cria a necessidade de incluir a Psicologia na Estética, essencialmente para actuar no conceito de auto-imagem de cada um. Embora teoricamente qualquer pessoa possa beneficiar da intervenção na sua imagem (desde cabeleireiro, plásticas, programas de emagrecimento, produtos cosméticos, entre outros), na prática muitas delas não conseguem tirar partido dessas intervenções, porque permanecem insatisfeitas, demonstrando a necessidade de uma intervenção psicológica conjunta. Sem a intervenção psicológica, a pessoa estará permanentemente em busca do defeito exterior que tem de ser corrigido ou disfarçado, como forma de colmatar temporariamente um mal-estar interno.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Ansiedade e Stresse

Todos nós já sentimos ansiedade e/ou stresse em vários momentos da nossa vida - no exame da carta de condução, numa entrevista de emprego, num encontro amoroso etc. São sintomas naturais no ser humano, que quando estão presentes de uma forma moderada, ajudam o organismo a estar mais atento aos desafios do meio e a realizar uma série de tarefas do quotidiano.

O stresse está cada vez mais presente na nossa sociedade, e consiste numa reacção do organismo que resulta da percepção que a pessoa tem de que não será capaz de dar respostas a todos os acontecimentos de vida que experencia. Se as situações "stressantes" se tornarem excessivas e frequentes, o corpo reage e o sistema imunitário torna-se gradualmente mais vulnerável e propenso a doenças. Vários estudos demonstram que as pessoas que passam por grandes quantidades de stresse, têm maior probabilidade de contraír doenças, nomeadamente as cardiovasculares.

Em relação à ansiedade, esta é muitas vezes comparada com o stresse, na medida em que vários dos sintomas são semelhantes. Fisicamente podem surgir suores, arritmias cardíacas, tonturas, dores musculares ou diarreia. A nível mental sobressaem as contantes preocupações, o cansaço, as dificuldades de concentração, a irritabilidade e as insónias.

Algumas pessoas apresentam uma ansiedade que as acompanha desde a infância, e que pode resultar de padrões internos de funcionamento muito precoces. Nestes casos, as causas da ansiedade envolvem diversos factores, podendo não ser muito claros e envolver questões mais ao nível da personalidade. Noutros casos, se alguma situação de vida provocar sintomas ansiosos, estes tendem a desaparecer quando essa mesma situação estiver resolvida.

A ansiedade extrema e prolongada provoca um enorme sofrimento, assim como a sensação de que não se é capaz de suportar tamanha inquietação e agitação interna. A pessoa sente que nunca consegue ter descanso, muitas vezes não percebe de onde vem a ansiedade e teme que esta possa não terminar. Com o passar do tempo há uma tendência para o agravamento, pois a ansiedade gera por sua vez ainda mais ansiedade. Quando esta persiste durante longos períodos de tempo, é essencial que a pessoa procure ajuda especializada, de forma a diminuir o sofrimento e a encontrar descanso no interior de si mesma.

domingo, 16 de setembro de 2007

Depressão

A depressão é um problema de saúde pública que afecta milhões de pessoas em todo o mundo. Estima-se que uma em quatro pessoas já sofreu, sofra ou venha a sofrer de depressão, e as incapacidades físicas e psicológicas desta podem trazer graves repercussões e elevados custos pessoais.

Costuma-se dizer que a depressão é uma "doença que não se vê" e por esse motivo é muitas vezes ignorada pelo próprio e pelos outros. Não tem a visibilidade de uma doença física, pelo que, frequentemente, casos de fácil tratamento tornam-se cada vez mais graves pelo arrastamento dos sintomas.
A depressão ainda é erradamente encarada como um sinal de fraqueza ou de falta de força de vontade, o que em nada contribui para a sua superação. Algumas características podem ser indicadoras de que sofrerá de depressão, pelo que os sintomas mais comuns são:

- Perda de energia, fadiga constante, cansaço;
- Insónias/alterações do ritmo do sono;
- Alterações do apetite;
- Dificuldades de concentração;
- Sentimentos de falta de confiança, inutilidade e baixa auto-estima;
- Pessimismo, negativismo e perda da alegria de viver;
- Alterações e variações no estado de humor (ex. irritabilidade, tristeza, choro fácil, ansiedade);
- Perda de interesse em actividades nas quais sentia prazer;
- Alterações na actividade sexual;
- Perda de esperança no futuro;
- Sentir-se quase sempre infeliz;

A depressão pode atingir qualquer pessoa em qualquer idade, e quando alguns destes sintomas persistem é importante procurar ajuda psicológica para que esta seja precocemente tratada. Não existe uma única causa para o seu aparecimento, e tanto pode ser reactivada por um acontecimento de vida negativo (desemprego, divórcio, problemas familiares, morte de um ente querido, condições de vida dificeis, doença, entre outros) como pode não haver uma causa aparente que seja responsável pelo aparecimento do quadro depressivo. Por vezes a pessoa sente que não tem motivos para se sentir deprimida, mas nestes casos o tratamento é igualmente importante.

Normalmente a depressão é tratada através de medicamentos e/ou de acompanhamento psicoterapêutico regular. Em certos casos o uso de medicação é extremamente importante e tem a vantagem de não alterar a personalidade da pessoa nem de criar habituação, enquanto que a psicoterapia permite à pessoa que sofre de depressão ter uma menor possibilidade de recaídas.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Dor/Doença Crónica

A dor faz parte do desenvolvimento do ser humano, na medida em que a sua função inicial é informar sobre um perigo, bem como alertar para um desequilíbrio na estabilidade do organismo. O problema surge quando a dor persiste após a eliminação do que a causou, não cumprindo nenhum papel à sobrevivência da pessoa ou mesmo ao seu crescimento pessoal.

Este tipo de dor denomina-se de dor crónica, normalmente é de difícil identificação, causa sofrimento, e manifesta-se de modo contínuo ou recorrente. Estima-se que em Portugal 2 milhões de pessoas sofrem de dor crónica, desde musculos-esqueléticas, dores de cabeça intensas e contínuas, doentes com fibromialgia, ou simplesmente após uma operação.

Mais do que um sintoma, a dor crónica torna-se uma doença, sendo o controle desta, o objectivo primordial. As componentes emocionais envolvidas na experiência dolorosa crónica podem ser mais significativas do que propriamente as componentes sensitivas, e é por esse motivo que as pessoas com dor crónica apresentam com frequência uma prevalência elevada de depressão, ansiedade, transtornos de sono, de sexualidade, de uso/abuso de substâncias, isolamento e problemas nas relações com outros (amigos, familiares, etc).

Os efeitos da incapacidade crónica, bem como os efeitos familiares, sociais e financeiros inerentes a esta, contribuem todos para o sofrimento prolongado e interferem com a reabilitação de muitos doentes.
As alterações sentidas incluem: a imobilização e consequente enfraquecimento muscular e articular, entre outros; alterações no sistema imunitário e maior susceptibilidade a contrair doenças; distúrbios do sono; falta de apetite e nutrição deficiente; dependência medicamentosa; dependência exagerada da família e de profissionais da saúde; utilização exagerada e inadequada dos diversos sistemas de Saúde; menor rendimento no local de trabalho ou incapacidade de realizar uma actividade; invalidez; tendência para a introversão, isolamento do meio social e familiar; ansiedade, medo, frustração, depressão ou mesmo suicídio.

Se sofre de dor crónica é importante que recorra aos serviços de saúde para tratamento farmacológico, fisioterapia, entre outros tratamentos que lhe possam ser oferecidos para aliviar a sua dor. Porém, as dificuldades a nível psicológico não devem ser descuradas. Muitas pessoas enfrentam a perda de um corpo saudável e, para alguns, as diferenças no funcionamento corporal a que estavam habituados levam a uma perda de autonomia que é sentida com sofrimento, surgindo a necessidade de uma nova readaptação na sociedade.

A qualidade de vida das pessoas afectadas fica, directa ou indirectamente, drasticamente diminuída, pelo que o Psicólogo adquire aqui uma enorme importância, pois possui competências para utilizar uma série de técnicas terapêuticas psicológicas que permitam à pessoa com dor crónica melhorar a sua qualidade de vida. Estas abrangem a terapia cognitivo-comportamental, as estratégias de coping ou de redução de stresse, as técnicas de relaxamento ou a terapia de orientação analítica. Estas técnicas são utilizadas de acordo com as necessidades da pessoa que sofre de dor crónica, para ajudá-la a aliviar ao máximo o seu sofrimento e porque apesar da dor ser algo comum no ser humano, cada pessoa tem uma forma muito particular de a sentir.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Colocar Dúvidas e Questões

Se quiser colocar alguma dúvida ou questão pode deixar aqui o

seu comentário. Se preferir, também pode enviar para

psi.ritadias@gmail.com. Ser-lhe-á dada uma resposta o mais

rapidamente possível.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A Relação Terapêutica

O ser humano cresce e evolui com base nas relações positivas e significativas que consegue estabelecer com os outros (pais, amigos, familiares, etc). Assim, a relação que se vai estabelecendo entre o psicólogo e o cliente ao longo das sessões constitui um dos factores principais para que a terapia produza alguma mudança e progressos no cliente.

Aos poucos e poucos cria-se um vínculo muito particular entre ambos, diferente de outros vínculos afectivos que conhecemos, que serve de suporte à comunicação e que leva a uma aliança terapêutica. Esta aliança é uma forma muito particular de colaboração entre o psicólogo e o cliente, pois ambos trabalham e têm vontade que este último aprenda a conhecer-se a si mesmo. Para que isto seja possível, é necessário que a pessoa esteja na terapia de livre vontade e com iniciativa própria.

Para facilitar o estabelecimento da relação terapêutica, o psicólogo oferece disponibilidade total para que a pessoa possa falar abertamente dos seus problemas, daquilo que a angústia, gera dúvidas ou inquieta. Por vezes, é natural que ao falar de si mesmo sinta algum desconforto e ansiedade, mas o psicólogo respeitará o seu ritmo próprio para expor os seus pensamentos e sentimentos. Com o passar do tempo e com a regularidade das sessões, esta ansiedade começa a esbater-se, dando lugar ao crescimento da confiança, respeito mútuo e aumento de uma relação positiva.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Como procurar um Psicólogo?

Alguns psicólogos da área de clínica exercem a sua actividade nos serviços de saúde públicos como centros de saúde e hospitais. No entanto, muitas vezes estes psicólogos não conseguem abarcar a quantidade de pessoas que necessitam de acompanhamento psicológico, e o sistema público não permite a colocação de mais profissionais para colmatar essas dificuldades. Assim, muitos psicólogos optam por dar consultas em clínicas privadas ou em consultórios, sendo essa uma das formas de encontrar um destes profissionais.

Quando decidir procurar um psicólogo para si ou para um familiar, tem o direito de se certificar das competências e idoneidade do mesmo, ou seja, pode verificar se o mesmo está abrangido pela Ordem dos Psicólogos Portugueses com respectiva cédula profissional. Infelizmente, alguns profissionais de outras áreas fazem uma pós-graduação de alguns meses em Psicologia e começam a exercer prática clínica privada, apesar de saberem que legalmente não o podem fazer. Naturalmente que isto pode ter consequências no seu bem estar emocional.

Um Psicopedagogo, um assistente social, um enfermeiro ou qualquer outro profissional que tenha tirado alguma especialização em Psicologia, mas que não possua a formação de base, ou seja a licenciatura de 5 anos em Psicologia ou mestrado, não pode exercer enquanto psicólogo.

Também pode procurar um Psicoterapeuta e neste caso, o profissional em questão terá, além da licenciatura, uma formação de 5 anos numa sociedade portuguesa credenciada (sociedade de psicoterapias breves, sociedade de terapia cognitivo-comportamental, etc) que lhe permita exercer Psicoterapia. Neste caso não é obrigatório que a licenciatura seja de Psicologia, pode ser de outra área, mas é obrigatório que tenha completado os 5 anos do curso de Psicoterapia.

sábado, 11 de agosto de 2007

O Papel do Psicólogo

Um dos objectivos principais no trabalho do psicólogo passa pela avaliação e intervenção na modificação de comportamentos que estejam a interferir no bem-estar da pessoa e/ou de quem a rodeia. Se uma pessoa está em sofrimento devido a uma problemática ou acontecimento de vida, a terapia poderá ajudá-la a reencontrar o equilíbrio emocional e a desenvolver um processo de aprendizagem interna que lhe permita lidar mais facilmente com adversidades futuras.
Para realizar o seu trabalho, o psicólogo baseia-se em alguns pontos fundamentais que possam garantir uma verdadeira relação de ajuda para com o seu cliente. Este são:
  • A Competência - que resulta de uma formação do psicólogo quer a nível teórico, quer a nível prático, que permite uma preparação e especialização com qualificações apropriadas para exercer as suas funções

  • O Respeito pelo Outro - em que o psicólogo respeita cada pessoa na sua liberdade, dignidade, integridade física e psicológica, preservação da intimidade, autonomia e bem-estar. Existe uma consciência e aceitação das diferenças individuais, culturais e de opiniões ou atitudes;

  • A Privacidade e Confidencialidade - em que é dever do psicólogo garantir o sigilo profissional e a preservação da vida privada;A Reponsabilidade Profissional e Social - porque o psicólogo pode influenciar a vida de uma pessoa que pode estar vulnerável e em sofrimento. Assim, este tem a função de escutar, compreender e ajudar de uma forma positiva todas as manifestações do cliente;

    Os Princípios na Relação Terapêutica - o psicólogo presta ajuda psicológica, no sentido de intervir nas dificuldades que impeçam o desenvolvimento pessoal da pessoa no seu contexto de vida. A relação terapêutica pode ser conduzida com base em diferentes orientações ou modelos científico-profissionais.
Para além destes princípios básicos é fundamental que, se decidir procurar um psicólogo, se sinta bem, confortável e compreendido/a por este. Só assim poderá estabelecer uma relação de empatia e confiança, que é a chave para iniciar um processo de mudança e de desenvolvimento pessoal.