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domingo, 6 de janeiro de 2008

Perturbação de Pânico - Crises de Ansiedade

A perturbação de pânico define-se pela existência durante um certo período de tempo de um intenso medo ou desconforto, que é acompanhado por uma sensação de perigo ou catástrofe iminente e por um impulso para a fuga. O início das crises é súbito e atinge em poucos minutos um pico de maior intensidade dos sintomas. Nesta perturbação ocorrem, assim, crises de pânico inesperadas em que a pessoa desenvolve um grande medo de que essas crises se voltem a repetir, assim como uma preocupação excessiva quanto às possíveis consequências destas e receio de que possam trazer algum tipo de alteração comportamental.

Há uma sensação de impotência, em que a pessoa acredita que não consegue controlar o seu próprio corpo nem os seus pensamentos e que a qualquer momento e em qualquer sitio pode estar sujeita a uma crise que leve a comportar-se de forma embaraçosa como tremer, gritar ou fugir em situações públicas. Os sintomas mais frequentes são:

- Taquicardia;
- Tonturas;
- Tremor;
- Náuseas;
- Arrepios ou calores;
- Falta de ar ou sufoco;
- Sudação;
- Dor torácica;
- Medo de enlouquecer;
- Medo de morrer;
- Despersonalização (irrealidade) ou desrealização (desligado de si próprio);
- Parestesias (formigueiros).

O diagnóstico da perturbação de pânico pode apresentar uma grande diversidade de casos clínicos. Contudo, as características mais comuns são a recorrência das crises de pânico, a ansiedade por antecipação, a depressão secundária, o evitamento agorafóbico e a atitude hipocondríaca que a pessoa começa a desenvolver.

No caso da ansiedade antecipatória, esta traduz-se pelo "medo dos sintomas de medo" e torna-se uma constante em quem sofre da perturbação de pânico, porque após a primeira crise a maioria das pessoas desenvolve uma preocupação persistente de voltar a experimentar os sintomas da crise.

A agorafobia também acompanha frequentemente a perturbação de pânico, na medida em que a pessoa fica ansiosa relativamente a determinados lugares ou situações em que a fuga possa ser difícil, ou onde não possa ter ajuda diponível, no caso de ter uma crise inesperada. Isso faz com que se comecem a evitar certas situações, pois estas são encaradas com um intenso receio e mal-estar.

Existe uma relação estreita entre as perturbações de pânico e a depressão porque as pessoas apresentam com frequência sentimentos de tristeza e culpa devido às dificuldades e limitações que esta perturbação acarreta no quotidiano. Cria-se a expectativa de que as crises vão estar presentes ao longo de toda a vida e esta co-morbilidade pode agravar a perturbação de pânico preexistente.

Em relação às preocupações hipocondríacas têm origem nos sintomas somáticos que acompanham as crises, que passam pela consciência desconfortável ou anormal dos batimentos cardíacos (taquicardia, extra-sístoles, batimentos cardíacos mais fortes, sensação de batimentos irregulares e sensação de pulso forte no pescoço); pela sensação de sufoco ou nó na garganta; ou pela sensação de tontura, desquilíbrio, instabilidade ou desmaio. Há uma tendência para interpretar de forma catastrófica as sensações corporais e um acentuado receio e convicção de sofrerem de um problema médico grave.

As crises de pânico iniciais podem ocorrer em transportes públicos, múltidões, cinemas, elevadores ou túneis. No entanto, podem ter lugar em qualquer contexto, inculsivamente em casa. Os factores precipitantes normalmente ocorrem num período da vida da pessoa em que esta está sujeita a um grande nível de stresse (doença grave, separação, problemas financeiros ou profissionais, sobrecarga de responsabilidades). Estas situações fazem com que a perturbação se instale mais facilmente, mas não estão na base da origem desta por si só.

Com um tratamento psicológico apropriado e compreensão do que está na base e origem dos sintomas, a maioria das pessoas melhora significativamente a sua qualidade de vida. Por vezes, há também a necessidade de recorrer a tratamentos psicofarmacológicos combinados com a terapia psicológica, em casos em que os sintomas já são despoletados muito automaticamente e indiscriminadamente. O cérebro aprende a despoletar esse gatilho e nem sempre os recursos internos se revelam suficientes. Ainda assim, mesmo que a medicação seja uma alternativa, por norma basta um tratamento transitório.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Ansiedade e Stresse

Todos nós já sentimos ansiedade e/ou stresse em vários momentos da nossa vida - no exame da carta de condução, numa entrevista de emprego, num encontro amoroso etc. São sintomas naturais no ser humano, que quando estão presentes de uma forma moderada, ajudam o organismo a estar mais atento aos desafios do meio e a realizar uma série de tarefas do quotidiano.

O stresse está cada vez mais presente na nossa sociedade, e consiste numa reacção do organismo que resulta da percepção que a pessoa tem de que não será capaz de dar respostas a todos os acontecimentos de vida que experencia. Se as situações "stressantes" se tornarem excessivas e frequentes, o corpo reage e o sistema imunitário torna-se gradualmente mais vulnerável e propenso a doenças. Vários estudos demonstram que as pessoas que passam por grandes quantidades de stresse, têm maior probabilidade de contraír doenças, nomeadamente as cardiovasculares.

Em relação à ansiedade, esta é muitas vezes comparada com o stresse, na medida em que vários dos sintomas são semelhantes. Fisicamente podem surgir suores, arritmias cardíacas, tonturas, dores musculares ou diarreia. A nível mental sobressaem as contantes preocupações, o cansaço, as dificuldades de concentração, a irritabilidade e as insónias.

Algumas pessoas apresentam uma ansiedade que as acompanha desde a infância, e que pode resultar de padrões internos de funcionamento muito precoces. Nestes casos, as causas da ansiedade envolvem diversos factores, podendo não ser muito claros e envolver questões mais ao nível da personalidade. Noutros casos, se alguma situação de vida provocar sintomas ansiosos, estes tendem a desaparecer quando essa mesma situação estiver resolvida.

A ansiedade extrema e prolongada provoca um enorme sofrimento, assim como a sensação de que não se é capaz de suportar tamanha inquietação e agitação interna. A pessoa sente que nunca consegue ter descanso, muitas vezes não percebe de onde vem a ansiedade e teme que esta possa não terminar. Com o passar do tempo há uma tendência para o agravamento, pois a ansiedade gera por sua vez ainda mais ansiedade. Quando esta persiste durante longos períodos de tempo, é essencial que a pessoa procure ajuda especializada, de forma a diminuir o sofrimento e a encontrar descanso no interior de si mesma.

domingo, 16 de setembro de 2007

Depressão

A depressão é um problema de saúde pública que afecta milhões de pessoas em todo o mundo. Estima-se que uma em quatro pessoas já sofreu, sofra ou venha a sofrer de depressão, e as incapacidades físicas e psicológicas desta podem trazer graves repercussões e elevados custos pessoais.

Costuma-se dizer que a depressão é uma "doença que não se vê" e por esse motivo é muitas vezes ignorada pelo próprio e pelos outros. Não tem a visibilidade de uma doença física, pelo que, frequentemente, casos de fácil tratamento tornam-se cada vez mais graves pelo arrastamento dos sintomas.
A depressão ainda é erradamente encarada como um sinal de fraqueza ou de falta de força de vontade, o que em nada contribui para a sua superação. Algumas características podem ser indicadoras de que sofrerá de depressão, pelo que os sintomas mais comuns são:

- Perda de energia, fadiga constante, cansaço;
- Insónias/alterações do ritmo do sono;
- Alterações do apetite;
- Dificuldades de concentração;
- Sentimentos de falta de confiança, inutilidade e baixa auto-estima;
- Pessimismo, negativismo e perda da alegria de viver;
- Alterações e variações no estado de humor (ex. irritabilidade, tristeza, choro fácil, ansiedade);
- Perda de interesse em actividades nas quais sentia prazer;
- Alterações na actividade sexual;
- Perda de esperança no futuro;
- Sentir-se quase sempre infeliz;

A depressão pode atingir qualquer pessoa em qualquer idade, e quando alguns destes sintomas persistem é importante procurar ajuda psicológica para que esta seja precocemente tratada. Não existe uma única causa para o seu aparecimento, e tanto pode ser reactivada por um acontecimento de vida negativo (desemprego, divórcio, problemas familiares, morte de um ente querido, condições de vida dificeis, doença, entre outros) como pode não haver uma causa aparente que seja responsável pelo aparecimento do quadro depressivo. Por vezes a pessoa sente que não tem motivos para se sentir deprimida, mas nestes casos o tratamento é igualmente importante.

Normalmente a depressão é tratada através de medicamentos e/ou de acompanhamento psicoterapêutico regular. Em certos casos o uso de medicação é extremamente importante e tem a vantagem de não alterar a personalidade da pessoa nem de criar habituação, enquanto que a psicoterapia permite à pessoa que sofre de depressão ter uma menor possibilidade de recaídas.