quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Apoio Psicológico na Maternidade


Mães Ligadas nasce com o objectivo de ajudar todas as mães a alcançarem uma maternidade mais plena, consciente e gratificante, tendo em conta que esta pode ser a melhor e ao mesmo tempo a mais difícil das experiências. Para além das exigências práticas e mundanas do quotidiano sofrerem alterações profundas, vai-se instalando em cada mãe toda uma transformação silenciosa, interior e emocional que, em alguns casos, se pode tornar verdadeiramente avassaladora.

Cada mãe tem um percurso único e individual na forma como vive a maternidade, mas sejam quais forem as circunstâncias em que cada uma se encontre, há sempre vivências que cruzam, que se assemelham e que, ao serem partilhadas e compreendidas, acabam por adquirir contornos de uma normalidade que se traduz numa mãe mais confiante, resolvida, segura e capaz de cuidar de si e dos seus.

No Mães Ligadas, não se pretende apontar um caminho como a resolução de todos os desafios que surjam, mas antes proporcionar um apoio psicológico para que cada mãe encontre o seu próprio caminho, que esteja em sintonia com as suas necessidades e que vá ao encontro dos seus recursos, valores, crenças e desejos. Este apoio adquire formatos diferentes, mas apenas no contexto físico em que ocorre, já que o mesmo é sempre pautado por um ambiente de respeito, escuta activa, não julgamento e compreensão.

apoio ao domicílio, no conforto do lar, é exclusivo para mães que estão nos períodos de gravidez e licença de maternidade, por poderem corresponder a etapas mais sensíveis, de maior vulnerabilidade física e/ou emocional.

apoio online, por videoconferência, permite um contacto mais rápido e fácil, que pode ser marcado com menor antecedência, de acordo com as disponibilidades de horário. Adequa-se a mães que estão geograficamente distantes ou a mães que encontrem neste formato uma maior facilidade de gerir o tempo relativo à sua dinâmica familiar e pessoal. Uma das coisas de que muitas mães se queixam a partir do momento em que têm filhos é que sobra muito pouco tempo para cuidarem e pensarem nelas próprias, pelo que este tipo de apoio pode constituir uma alternativa mais acessível.

apoio em consultório destina-se a todas as mães que pretendem um espaço terapêutico, próprio para o efeito. Um local, fora das suas rotinas habituais, que está associado a um momento que dedicam apenas elas próprias e no qual têm a oportunidade de partilhar livremente as suas emoções, dúvidas, sentimentos e pensamentos.

O Mães Ligadas foi criado com o intuito de ser para mães e entre mães mas o apoio prestado está aberto a todos os que se envolvem, já que as mães nunca se encerram em si mesmas e também só o são na partilha da sua própria maternidade.

Saiba mais AQUI.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Apoio Psicológico Online


"A comunicação virtual passou a fazer parte do dia a dia de todos nós e tornou-se uma forma muito privilegiada de contacto, permitindo-nos estabelecer ligação com quem quisermos e onde quer que nos encontremos. Graças às tecnologias de informação, temos possibilidade infinitas, assim as saibamos utilizar.

As consultas de psicologia não fugiram a esse progresso e começaram a constituir uma forma alternativa de se obter apoio psicológico e até de se estabelecer uma relação terapêutica verdadeira e genuína, já que não existem formas absolutas e exclusivas de nos relacionarmos positivamente com alguém. Foram muitos, e ainda são, os cépticos em relação a esta ferramenta de trabalho, negando as suas vantagens ou desvalorizando o seu impacto, mas o que é certo é que a experiência mostra-nos que as imposições relativamente a um formato único e rígido de atendimento ou um setting terapêutico que tem de obedecer a certas condições, acabam apenas por limitar todos aqueles que deste não podem beneficiar, assim como restringir ofertas diversificadas na relação de ajuda. Não se trata de substituir a relação presencial, nem tão pouco de comparar, mas de apresentar formatos diferentes para públicos também diferentes. Para além disso, a empatia entre psicólogo e paciente/cliente, tão essencial para o sucesso da terapia (ou de um simples aconselhamento pontual), não surge automaticamente só porque estes estão à frente um do outro em carne e osso. Tem mais a ver com as pessoas em questão e com a forma como comunicam e interagem entre si.

Os motivos que levam alguém a procurar o apoio online são diversos, desde os mais relevantes e prioritários como impossibilidade de deslocação por motivos de saúde ou geográficos, até aos que conferem maior conforto e comodidade como uma melhor gestão do tempo ou tão somente preferência por questões individuais. Por exemplo, as pessoas que são mais comunicativas demonstram continuar a sê-lo em frente a um ecrã, não interferindo na sua capacidade de se exprimirem e, por outro lado, as mais reservadas ou com mais resistências podem encontrar neste tipo de contacto uma maior facilidade em tomarem a iniciativa de procurar ajuda, já que esta está apenas à distância de um clique. Há também quem não se identifique de todo com o atendimento online ou que frise não se sentir tão à vontade e, nesse caso, existem sempre as sessões presenciais.

Importa dizer que, tal como nas sessões presenciais, as que são feitas online mantêm os mesmos critérios de sigilo e confidencialidade. Em termos legais, a psicologia online encontra-se devidamente enquadrada e é orientada pela Associação de Psicologia Americana e pela Sociedade Internacional para a Saúde Mental.

Nas sessões online dá-se preferência à videoconferência, por exemplo pelo Skype, por se aproximar mais do contacto real, já que o contacto visual permite-nos aceder à comunicação não verbal que é tão importante como a verbal. É também uma forma de comunicação muito mais rica comparativamente ao contacto telefónico ou email. Contudo, se por algum motivo específico, seja necessidade de absoluto anonimato ou receio de uma primeira abordagem, a pessoa não quiser a videoconferência, não se impede que se vá ao encontro dessa necessidade pois acredita-se que é preferível algum apoio, mesmo que seja menos completo, do que apoio nenhum. Posteriormente, com mais confiança e se a pessoa assim o quiser, pode-se passar, a qualquer momento, a outro tipo de formato mais enriquecedor. O importante é que cada uma se sinta confortável com a sua opção e isso é sempre respeitado."

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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Consultas Psicologia Online para Portugueses a residir no estrangeiro


Muitos portugueses estão fora do seu país de origem pelos mais variados motivos e nas mais diversas circunstâncias. Questões profissionais ou académicas, por opção ou como única alternativa, com família, amigos ou sozinhos. 
Independentemente destes Portugueses poderem ter acesso a profissionais de saúde no país onde residem ou até de falarem bastante bem a língua desse mesmo país, muitos revelam ter dificuldade em se sentirem verdadeiramente compreendidos quando necessitam de procurar apoio psicológico. Isto acontece fundamentalmente por dois motivos. Por um lado, nas consultas de Psicologia, a ferramenta de trabalho primordial é a palavra, ou seja, o acompanhamento é feito em grande parte pela comunicação verbal e neste sentido a língua materna é fundamental na expressão de pensamentos, sentimentos ou preocupações. Por outro, o desenrolar de um processo terapêutico ou até mesmo de uma consulta mais pontual, é tão mais bem sucedido quanto o grau de empatia que se estabelece entre o profissional e o paciente/cliente. Se é certo que não é condição determinante ambos serem provenientes do mesmo país para que esta empatia surja, também é verdade que é mais fácil encontrarmos um maior reconhecimento daquilo que pretendemos transmitir se o nosso interlocutor estiver a par de pormenores culturais e sociais que acabam por fazer parte de uma grande fatia das nossas vivências e experiências.

Indo ao encontro desta necessidade, há vários anos que este consultório situado em Lisboa tem-se deslocado a todo o mundo, tendo ao dispor consultas de Psicologia Clínica para Portugueses que vivem fora do país e que pretendam este tipo de apoio. As consultas presenciais permitem um acrescento positivo nas interacções mas tem vindo a ser evidente que, não constituindo uma substituição, as vantagens destas consultas online superam largamente as desvantagens. Quando as circunstâncias o impõem, é muito preferível sentirmo-nos verdadeiramente apoiados e compreendidos à distância do que manter uma comunicação presencial que não vai encontro do que precisamos. 
Dá-se preferência a sessões via Skype, em tempo real, de forma a assemelhar-se o máximo possível com uma consulta presencial. Os horários são combinados previamente mediante a disponibilidade de ambas as partes e o pagamento é efectuado por transferência bancária.
Para mais informações, contactar para o número 00 351 914675354 ou através do email psi.ritadias@gmail.com

Ana Rita Dias - Psicóloga Clínica e do Aconselhamento

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Nos meandros da Psicoterapia

Um processo terapêutico representa coisas diferentes para pessoas diferentes e estas vão-me revelando de que forma absorvem esta experiência. Há quem saia das consultas a sentir-se aliviado. Há quem fique angustiado. Há quem não perceba como as consultas poderão ajudar. Há quem desista. Há quem persista. Há quem encontre um sentido que andava à deriva. Há quem sinta efeitos imediatos. Há quem comece, muito gradualmente, a sentir benefícios sólidos e duradouros. Há quem, após um período de aparentes mudanças, se sinta estagnado, desmotivado. Há quem se sinta mais leve. Há quem refira que falar sobre certas coisas é doloroso. Há quem encontre um porto de abrigo, uma segurança, num espaço onde não há filtros, moralismos, julgamentos e onde através da palavra tudo é permitido. Há quem prefira escrever-me alguns sentimentos num papel porque verbalizá-los nem sempre é fácil. Há de tudo, ainda que o objectivo central seja sempre o mesmo: melhorar a qualidade de vida da pessoa.
Uma jovem paciente enviou-me um excerto de Gonçalo M. Tavares sobre o que representa para ela fazer terapia e suponho que seja muito parecido com o que muitas pessoas sentem:

"As obras começavam por abrir um buraco. E passados três meses o que havia era um buraco. Depois começavam as fundações. E só passados quatro ou cinco meses é que a casa ia crescendo - de baixo. Começava no piso zero, depois começava a subir. Isto marcou-me muito, a casa a pousar e afundar. "Fundar" tem a ver com fundo, tem que se abrir um buraco, pôr lá os alicerces, e depois começar a crescer. Pousar é a coisa mais frágil do mundo. Se quiséssemos fundar esta garrafa tínhamos que começar a escavar. Se quiséssemos que esta garrafa diante de um toque não caísse, a única hipótese era trabalharmos muito no que não é visível. Escavar, criar uma protecção que não é visível."

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Anorexia e Bulimia

Estas doenças do comportamento alimentar surgem sobretudo durante a adolescência mas também podem ser identificadas antes ou depois desta etapa de desenvolvimento. São mais frequentes no sexo feminino (embora também aconteçam no sexo masculino) e resultam de uma combinação de factores biológicos, ambientais, familiares e sociais.

Convém salientar que o comportamento alimentar de muitas crianças gera preocupação por parte dos pais mas na maioria das vezes é próprio de determinadas fases da vida e varia de acordo com uma espécie de perfil de apetite, estando apenas relacionado com características da criança. Há crianças que comem muito, outras que comem pouco e isso não tem à partida nenhum problema. Se os pais tiveram dúvidas sobre o assunto, deverão esclarecê-las junto do médico e confiar nas indicações, pois a excessiva preocupação e consequente pressão para que a criança coma mais ou para que coma menos, essa sim, pode levar a certos distúrbios.

A anorexia nervosa não é uma doença de emagrecimento, ainda que esteja relacionada com uma necessidade de emagrecer. De facto, do ponto de vista social, assiste-se a uma promoção excessiva do emagrecimento e do "corpo ideal", tanto de forma directa como numa série de mensagens indirectas e subtis que a pouco e pouco são assimiladas pelo nosso inconsciente e que acabam por constituir um padrão de beleza generalizado que é considerado o mais aceitável. Isto tem um impacto significativo nos mais jovens, por estarem numa fase de maior vulnerabilidade com necessidades mais prementes de afirmação pessoal, aceitação, reconhecimento e construção de uma identidade própria.
Contudo, a anorexia é bastante mais complexa e desenvolve-se perante uma restrição doentia dos alimentos que está muito longe de uma simples insatisfação com o corpo, típica destas idades (ou até das pessoas em geral). Não é um capricho ou uma "mania" passageira mas sim uma obsessão preocupante relativamente ao aumento de peso e à contagem das calorias, acompanhada de uma enorme capacidade para ignorar a fome. Apesar de comerem muito pouco ou quase nada, faz parte da doença manterem-se sempre muito activos até que o corpo comece inevitavelmente a ceder, podendo levar a um estado de saúde extremamente grave, debilitante e até irreversível.

Estes doentes apresentam uma enorme distorção corporal, o que significa que a imagem que têm de si mesmos é muito diferente da imagem real. É por isso que podem chegar a extremos de magreza e mesmo assim sentirem que estão com excesso de peso. Esta imagem distorcida induz a um sofrimento diário e persistente, sendo bastante comum isolarem-se do contacto com os outros.
Na adolescência ocorrem grandes mudanças hormonais que levam a modificações corporais súbitas e isto nem sempre é encarado com naturalidade por parte do jovem. Especialmente as raparigas podem ter dificuldade na adaptação às novas formas do corpo (e às exigências psicológicas que uma nova etapa de vida acarreta) e inconscientemente estar presente uma fantasia de permanecer num corpo mais infantil.

Observou-se que uma grande parte das anorécticas têm semelhanças em termos de características de personalidade e da dinâmica familiar. Geralmente são jovens que são vistas pelos outros (sobretudo pelos familiares) como exemplares em termos de comportamento, disciplinadas, perfeccionistas, exigentes consigo próprias e com bons desempenhos escolares. Isto é, com a melhor das intenções, bastante valorizado e muitas vezes os próprios pais parecem ser os últimos a reparar no exagero e na perda de peso, o que não raras vezes conduz a um estado de subnutrição grave que pode inclusive levar à morte. A jovem habitua-se a encontrar estratégias muito eficazes para disfarçar o facto de não comer (esconder comida debaixo do prato ou da mesa, deitar fora quando ninguém vê, comer noutros horários, entre outras) mas por vezes já várias pessoas do exterior se aperceberam do estado de magreza à excepção do núcleo familiar que está numa espécie de negação colectiva. Assim, é importante que o tratamento inclua uma ajuda efectiva às famílias, já que todos acabam por sofrer com esta doença e não há culpados no processo. Embora se possa ter de reflectir sobre alguns comportamentos na dinâmica da família, estas doenças nunca são previsíveis e muito menos desejadas. Há sempre uma série de factores, alguns deles ainda bastante desconhecidos, que se conjugam e que levam ao diagnóstico.

A bulimia é tendencialmente mais discreta e grande parte das vezes não leva a uma perda de peso tão visível como na anorexia, pelo que podem passar-se vários anos sem que ninguém se aperceba, atrasando o diagnóstico e tornando o tratamento mais difícil. Apesar de mais silenciosa e de raramente ser fatal não é por isso menos grave. Nesta doença as pessoas têm episódios solitários nos quais ingerem sofregamente quantidades invulgares de comida e misturam diversos tipos de alimentos na mesma refeição. Apesar da ansiedade que acompanha o acto de comer, na verdade é muito comum não obterem nenhum prazer, apesar de não conseguirem parar de o fazer até ficarem mal dispostas. Tal como na anorexia, estas pessoas sentem que têm excesso de peso e que o seu valor pessoal depende bastante da sua imagem física, pelo que após esses episódios sentem-se de tal forma envergonhadas e culpadas que provocam o vómito para se livrarem de todas as calorias que ingeriram. Como estas compulsões não permitem seguir uma dieta, encontram no vómito a solução para perder peso.

Os estados psicológicos alternam entre a tristeza e a irritabilidade e também é típico isolarem-se do convívio social, nomeadamente para evitar momentos à mesa e porque passam parte do dia angustiadas com pensamentos relacionados com o corpo e com os alimentos.
Quanto a características de personalidade, geralmente são pessoas mais impulsivas comparativamente às que sofrem de anorexia. São também aparentemente mais instáveis mas apenas de forma mais visível, já que na anorexia a suposta estabilidade emocional acaba por ser uma forma de auto-controlo seguida de uma sensação de poder por se alcançar uma série de objectivos.

Tanto na bulimia como na anorexia, existem factores que facilitam ou predispõe à doença como por exemplo a dedicação a determinadas práticas desportivas rígidas, competitivas e exigentes do ponto de vista da aparência física como a dança ou actividades ligadas à moda, mas nunca se considera que algo deste género seja a origem ou a causa do problema. São apenas contribuições que, no se conjunto, despoletam o problema. Existem inúmeros jovens ligados a estas áreas que são perfeitamente saudáveis e outros que não o sendo apresentam a doença.

Quanto ao tratamento, um dos maiores impedimentos no sucesso do mesmo é a negação quanto à existência de uma doença. Um dos sintomas é precisamente esta negação, pelo que forçar a pessoa a comer ou a alimentar-se de outra forma acaba por ser contraproducente. É difícil compreender como é que alguém fica satisfeito o dia todo com uma maçã ou como é que não controla a quantidade de comida ao ponto de ter de a vomitar, mas é muito importante compreender que a pessoa simplesmente não consegue e que não é algo que dependa somente da sua escolha.
O mais importante é levar a pessoa a reconhecer que necessita de ajuda psicológica, algo que pode levar algum tempo, já que fisicamente é típico que o doente não se sinta mal durante um largo período. Em casos extremos de risco de vida o internamento pode ser a única alternativa mas é perfeitamente possível não se chegar a este ponto para que o tratamento ocorra, desde que a pessoa que sofre da doença se torne parte activa da mudança.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

"Bússola para navegadores emocionais" - Sugestão de leitura #4

A autora, Elsa Punset.
"Navegar sem naufragar pelo mundo das emoções exige uma bússola. Porque não basta amar: é preciso amar de forma incondicional. Não basta ouvir: é preciso ouvir atentamente. Não basta chorar: é preciso aprender a superar a dor. Não basta tentar resolver os problemas daqueles que amamos: é preciso ajudá-los a responsabilizar-se. Quando precisam de uma solução, não basta dar-lhes a nossa solução, devemos ajudá-los a encontrar as suas próprias soluções. Se temos filhos, não basta dar à luz e projectar neles as nossas esperanças. Precisam que os eduquemos com amor incondicional e um dia, quando sentirem que estão preparados para enfrentar sozinhos a vida, os deixemos ir em liberdade. Para seguirmos o nosso próprio caminho, sem medo.
No entanto, nada disto responde à forma possessiva de amar dos seres humanos, nem ao sentido instintivo de protecção dos pais, nem ao nosso medo visceral da mudança, nem a qualquer capacidade inata que permitisse, num mundo ideal, reconhecer e curar as nossas próprias feridas emocionais. Requer, pelo contrário, a aquisição de uma série de aptidões. Essas aptidões revelam-se muito eficazes face às nossas relações com os outros, à nossa felicidade pessoal e à educação dos nossos filhos. Seria mais fácil se essas aptidões fossem inatas. No entanto, não são porque evolutivamente só estávamos destinados a cumprir ceras funções básicas: bastava dar à luz o filho; ficar a seu lado até ele bastar-se a si próprio; satisfazer as suas necessidades físicas, porque as emocionais ficavam sufocadas pela pressão por sobreviver. Este não é o mundo que enfrentamos nem que enfrentam os nossos filhos.
O primeiro passo para entender as emoções dos outros é conhecermo-nos a nós mesmos. Graças à extraordinária plasticidade do cérebro, embora os nossos padrões emocionais possam ser negativos, podemos repará-los e melhorá-los: basta aprender a analisar e a compreender o substrato emocional das nossas vidas."

Um livro de linguagem acessível, que engloba as diferentes etapas da vida emocional do ser humano, desde o nascimento até à vida adulta, assim como as aprendizagens que estabelecemos na relação com os outros e as dificuldades com que normalmente nos deparamos. Permite, acima de tudo uma reflexão pessoal acerca da nossa vida e a possibilidade de entrar em contactos com fragilidades emocionais que estão ao nosso alcance perceber e modificar.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Consultas de psicologia em Lisboa e Odivelas

A partir de Janeiro de 2015, também disponibilizamos consultas de psicologia clínica no centro de Odivelas.
As consultas na baixa de Lisboa mantêm-se de igual forma.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Comunicar de forma positiva

Muitas vezes os atritos na comunicação não estão tanto no conteúdo daquilo que é dito mas na forma como as mensagens são transmitidas. As discussões frequentemente desembocam em sucessivas acusações que fazem com que os intervenientes entrem numa espiral de ressentimentos da qual não conseguem facilmente sair.
Quando alertamos alguém para algo que nos desagrada, podemos tentar explicar os nossos sentimentos e pensamentos de maneira a não ferir ou atacar os sentimentos alheios. Isto porque, independentemente de se ter ou não razão, a partir do momento em que o fazemos pondo em causa as qualidades internas da pessoa em questão ou a sua intencionalidade, vamos inevitavelmente fazer com que esta se foque na necessidade de se defender dessas mesmas acusações, em vez de permitirmos que ela compreenda o nosso ponto de vista, que é na realidade aquilo que procuramos.
Por exemplo, se ficamos desorientados com uma casa desarrumada podemos referir que não nos entendemos quando há muitas coisas fora de sítio e que precisamos de uma maior organização do que partir para um "és um(a) preguiçoso(a) que não faz nenhum". Se alguém não nos dá atenção que achamos merecer podemos dizer que necessitamos de uma maior presença para nos sentirmos correspondidos do que "és egoísta, não me ligas nenhuma, não queres saber de mim". Se não nos sentimos bem num relacionamento, podemos tentar explicar que não nos sentimos felizes em vez de partir de imediato para a afirmação "tu não sabes fazer-me feliz". 
Muitos outros exemplos poderiam ser dados, sendo que todos acabam por assentar no mesmo propósito. O de verbalizar as nossas insatisfações dando mais ênfase ao quanto estas nos afectam do que à necessidade de culpabilizar e apontar falhas. Isto não vai garantir uma comunicação positiva, pois nem sempre se encontram soluções compatíveis e é necessário que do outro lado seja feito o mesmo, mas é mais provável que sem as mágoas resultantes deste processo de apontar o dedo, a comunicação realmente passe por aquilo que pretendemos: conseguirmos dizer aquilo que sentimos e dar a oportunidade à outra pessoa de verdadeiramente compreender. 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Timidez e Inibição

Apesar de não existirem certezas quanto ao peso genético, calcula-se que o temperamento tem uma forte componente inata que nos predispõe a desenvolver determinadas características de personalidade. Desde muito cedo que se verificam diferenças entre bebés quanto à forma como se comportam no quotidiano e como reagem na presença de outras pessoas, podendo estes demonstrar-se mais recatados ou extrovertidos. No entanto, estes indicadores precoces do temperamento não são deterministas quando ao comportamento futuro, pelo que há uma série de factores e vivências que acabam por estruturar as manifestações emocionais de cada um de nós. Sabe-se que um adulto tímido muito provavelmente foi uma criança tímida mas nem sempre uma criança mais introvertida se torna num adulto tímido. O maior ou menor isolamento desde cedo, o tipo e qualidade das convivências sociais, a personalidade e atitude dos pais e as circunstâncias de vida, acabam por ter uma enorme relevância na percepção que a criança desenvolve de si própria e consequentemente na conduta social que apresenta ao longo dos anos.
Na infância e também na adolescência devem ser evitados ao máximo os rótulos e as comparações, pois são estes que mais contribuem para que a criança sinta que tem algo de errado e acabe por ter comportamentos futuros que vão ao encontro da confirmação de que é diferente. Não é um problema sermos diferentes, mesmo porque ninguém é igual, mas pode tornar-se um problema sentirmo-nos diferentes.

É preciso dizer que a timidez não é uma patologia e, não sendo uma patologia, não necessita de tratamento nem tem de ser modificada. Existem muitas pessoas tímidas que se encontram realizadas e com qualidade de vida e a extroversão não é sinónimo de felicidade. Porém, é frequente que este traço cause algum prejuízo na vida da pessoa, impedindo-a de alcançar objectivos pessoais e é nesse sentido que esta pode sentir necessidade de procurar ajuda. Eventuais consequências negativas como o evitamento na interacção social por algum receio de avaliação negativa no exterior, o sentimento de desadequação ou inferioridade face aos outros e a dificuldade em expressar emoções podem, assim, comprometer o sentimento de realização pessoal. Quando a timidez está presente de uma forma muito intensa, também pode levar a fobias sociais ou outro tipo perturbações que diminuem a qualidade de vida.

Se a pessoa assim o desejar, é possível atenuar estas consequências através do reforço positivo, da mudança de padrões de comportamento, da alteração da percepção que tem de si mesma e da exposição progressiva a situações sociais consideradas ameaçadoras, de forma a que o nível de confiança e segurança interiores possam aumentar. Para isso, os sentimentos de aceitação e valorização pessoal são fundamentais mas todos sabemos que estes também dependem da reacção de quem nos rodeia, pelo que estão interligados e necessitam de ser trabalhados em conjunto, preferencialmente com o apoio de um psicólogo.
Porém, nesse processo, a pessoa tímida não se deve forçar a participar de contextos com os quais não se identifica nem tão pouco de adquirir comportamentos que não a reflectem. A timidez não é uma escolha, pelo que é fundamental que os seus gostos e preferências sejam respeitados para que não corra o risco de passar a vida a tentar corresponder a uma imagem que não é a sua e que reforça a ideia errada de que o seu interior é inaceitável.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Consulta de Psicologia a Adultos

Estas são algumas das áreas de intervenção com adultos:





  • Ansiedade e Stresse 
  • Fobias e Medos
  • Crises de Pânico
  • Depressão, Tristeza, apatia
  • Problemas relacionados com Sexualidade
  • Obsessões e Compulsões
  • Luto e perda
  • Separação/Divórcio
  • Instabilidade emocional
  • Problemas relacionais e amorosos
  • Problemas comportamentais
  • Perturbações do sono
  • Perturbações Mentais
  • Situações de crise (pessoal, familiar, profissional)
  • Desenvolvimento pessoal e Auto-conhecimento
  • Perturbações alimentares
  • Comportamentos Aditivos (álcool, substâncias, jogo)
  • Co-dependência/ dependência emocional/ dependência amorosa 
  • Dor/ Doença Crónica
  • Aspectos psicológicos do Emagrecimento e Nutrição
  • Estética, Auto-imagem e Relação com a corpo
  • sexta-feira, 30 de maio de 2014

    Olhar o passado para resolver o presente

    Em psicoterapia faz parte do processo conhecer e compreender o passado de quem nos procura. Por vezes há quem tenha algumas resistências em falar de vivências e experiências que aparentemente parecem ser banais ou desprovidas de qualquer interesse relevante para o que pretendem esclarecer ou alterar. Há a ideia de que só os acontecimentos muito traumáticos do passado é que poderiam explicar problemas no presente. Acontece que não são só os traumas identificáveis e conscientes que deixam heranças pesadas nas nossas emoções. São muitas as variáveis que contribuem para explicar aquilo que somos e que por norma, não só têm origem em fases muito precoces da nossa existência, como correspondem a um padrão inconsciente, do qual nem nos apercebemos, que se relaciona com a forma como vemos e sentimos o mundo. É por isso que achamos que o nosso passado não tem importância quando não há nada que se destaque, mas ao reflectirmos sobre ele acabamos por encaixar a pouco e pouco as peças do puzzle da nossa vida.

    Ao contrário de uma verdadeira psicoterapia, se o objectivo passa por um aconselhamento psicológico muito específico e objectivo, nem sempre é necessário fazer a ponte com a personalidade da pessoa em questão. Contudo, mesmo nesta situação, pode acontecer que cheguemos a conclusões que se relacionam com o nosso funcionamento interno. Apesar do sofrimento poder ter origem em alguma circunstância de vida, é preciso perceber de que forma os nossos mecanismos psicológicos estão a prejudicar-nos ou, pelo contrário, a ajudar-nos. Todos temos estratégias diferentes para gerir dificuldades e o impacto de algo que esteja a ser difícil de suportar também varia de pessoa para pessoa, assim como varia com a etapa da vida que estamos a atravessar. É por isso que a dor não se mede e tem sempre o seu valor.
    Esta necessidade de olhar para o passado não é no sentido de apontar, julgar ou criticar aquilo que foi o nosso percurso. E se a pessoa em questão não quiser falar de determinados assuntos que possam ser sugeridos, tem todo o direito de se resguardar até quando se sentir preparada ou deixando de lado o que prefere que não seja colocado em voz alta.
    Compreender para resolver é o único propósito de voltar atrás no tempo. Mesmo porque quando conseguimos vislumbrar aquilo que fomos no passado, estamos muito mais perto de nos encontrarmos no presente.

    quarta-feira, 21 de maio de 2014

    Depressão na Gravidez (Pré-Parto)

    Questionário retirado daqui
    Imagem retirada daqui
    A chegada de um bebé é quase sempre motivo de comemoração e alegria. Quando é muito desejado, o dia da confirmação da gravidez torna-se muito especial por marcar o início de uma etapa muito esperada e, mesmo em casos em que a gravidez é uma completa surpresa e o bebé não tinha sido planeado, são muitos os que ficam entusiasmados com a nova ideia de se tornarem pais.
    Porém, há contextos e processos que não correm da melhor forma e que acabam por definir uma gravidez conturbada, difícil e que pode inclusive resvalar para uma depressão pré-parto. É mais comum falar-se na depressão pós-parto, pelo que a instalação deste quadro psicológico durante a gravidez acaba por ser mais ignorado. Assim, importa lembrar que o número de grávidas atingidas por esta doença ronda os 15 a 20%, o que significa que precisamos de estar atentos às causas, sintomas e tratamentos. Sabemos ainda que a probabilidade de uma mulher vir a ter uma depressão pós-parto é maior quando o problema começa a ser evidente ainda antes do bebé nascer, pelo que intervir o mais precocemente possível diminui as possíveis consequências tanto para a mãe como para o bebé.

    É do conhecimento comum que as alterações hormonais são responsáveis por muitas das oscilações do estado de humor na gestação. Por outro lado, a carga simbólica associada à maternidade e o impacto emocional de gerar e criar um filho, é por si só suficiente para que um turbilhão de emoções se revelem à flor da pele.
    Algumas mulheres referem sentir uma felicidade imensa durante toda a gravidez mas, em geral, o primeiro e último trimestre são mais propícios a uma maior sensibilidade. Isto significa que sentimentos de tristeza, preocupação, dúvidas ou desânimo não são à partida motivo de alerta e fazem parte de uma gravidez saudável.

    O que distingue estas oscilações de humor de uma depressão pré-parto, ou com um quadro que indique que esta pode acontecer, é a intensidade e duração destes sintomas. Se uma grávida está permanentemente abatida, desesperançada, com pensamentos negativos, com vontade de chorar, sem qualquer energia, com uma sensação de falha constante ou até ideias suicidas, estamos perante um diagnóstico. Não é necessário a grávida apresentar todos estes sintomas para que esteja em depressão mas são exemplos que ajudam a diferenciar de outros sentimentos transitórios e normais.
    As causas de uma depressão pré-parto podem ser as mais variadas, de acordo com o historial de vida da pessoa, assim como das circunstâncias e contexto em que se encontra. As transformações corporais, os relacionamentos afectivos (em particular a relação com o pai do bebé), o suporte familiar, as complicações físicas que podem surgir durante a gravidez, a saúde do feto, os sentimentos contraditórios em relação ao futuro bebé ou até uma vulnerabilidade pré-existente para a depressão são algumas das circunstâncias que podem despoletar o problema.
    Na imagem acima, um pequeno questionário permite dar uma ideia se estamos ou não perante a possibilidade de risco, mas importa frisar que apenas um profissional qualificado poderá fazer o diagnóstico com precisão. O apoio psicológico permite melhoras significativas em grande parte das gestantes e só em alguns casos mais graves poderá ser necessário medicação.

    Um dos factores de manutenção da depressão e que a agrava substancialmente é o sentimento de culpa e de fracasso que a futura mãe enfrenta. Aliás, este sentimento faz inclusive parte da depressão e acaba por gerar um ciclo vicioso em que a mulher, por não percepcionar que não é responsável pelo seu estado de saúde, acaba por negar os sintomas, prolongado-os e intensificando-os. Nesse sentido, o apoio da família a amigos é crucial para que esta aceite que a prioridade é tratar de si e consequentemente do bebé. É socialmente esperado que uma grávida esteja feliz e é com vergonha que muitas pré-mamãs encaram o estado de espírito em que se encontram. O primeiro passo parte pelo resgatar do amor próprio e, assim, não sentir que procurar ajuda é um fracasso.

    Ana Rita Dias - Psicóloga Clínica e do Aconselhamento.

    segunda-feira, 5 de maio de 2014

    Relações amorosas através dos sites de encontros

    No âmbito de uma entrevista ao Jornal de Notícias, falou-se de encontros amorosos virtuais. Leia neste artigo os assuntos que estiveram na base da mesma.

    Pelos vistos, Portugal é um bom mercado para os sites 
    de encontros. Andarão os portugueses assim tão sozinhos?
    Dar e receber afecto é uma necessidade universal, pelo que a procura de alguém para estabelecer algum tipo de ligação mais próxima, tanto acontece em Portugal como noutro país qualquer. O que acontece é que, com a proliferação das novas tecnologias, os sites de encontros acabam por constituir uma alternativa mais fácil na possibilidade de se iniciar algum contacto. Para além disto, no que toca à solidão, vivemos numa sociedade que se tem tornado mais individualista e que promove a gratificação imediata, com tudo o que de bom e mau que isso acarreta. Se por um lado temos mais opções, menos barreiras e nos é permitido ser mais exigentes na busca de um(a) parceiro(a) que nos desperte interesse, por outro esta ideia de termos o direito de procurar sempre “mais” e “melhor” pode conduzir precisamente a uma insatisfação continuada. 

    Existem, inclusive, os que funcionam regionalmente, com dimensão local. Que explicação poderá haver para tal facto?
    À partida, salvo excepções, quando alguém procura conhecer outra pessoa através de um site de encontros, é com o objectivo final de se encontrarem presencialmente. Os sites de encontros podem ter muita adesão na procura de potenciais parceiros(as) mas é no contacto real que procuramos prolongar e reforçar ligações. Por isso é natural que a localização seja um factor preferencial.

    É sempre mais fácil contactar sem estar presente fisicamente?
    Em vários aspectos torna-se mais fácil, começando logo pela abordagem. Quem está num site de encontros desfaz logo o receio de não existirem objectivos semelhantes. Depois, também causa menos impacto uma possível rejeição. Se aquele utilizador não corresponde, tenta-se outro e assim sucessivamente. Quando a conversa já está estabelecida, e especialmente se for por escrito, há também menos inseguranças e constrangimentos em darmo-nos a conhecer e um maior controlo sobre todas as variáveis que existem presencialmente e que por vezes levam a uma maior inibição.
    Não se pode, no entanto, dizer que seja sempre mais fácil. Há quem sinta que o contexto virtual é forçado, repetitivo ou até enfadonho, o que pode prejudicar o entusiasmo. Em contexto real temos mais acesso a uma série de sensações que flúem mais naturalmente e de forma menos previsível. Podem também surgir interpretações erradas com frequência, por não termos acesso à linguagem não verbal que é tão ou mais importante. No fundo, tem vantagens e desvantagens, pelo que o melhor é tirar partido do que for surgindo, virtual ou não, sem racionalizar demasiado.

    Que alertas quer deixar a estas pessoas que preferem recorrer a sites de encontros?
    Em primeiro lugar que não se torne uma preferência mas sim uma alternativa como qualquer outra e que esteja a par de vivências igualmente potenciadoras de convivência. Tanto se cai num extremo de achar que conhecer alguém pela Internet é algo de muito negativo como no outro de passar a ser uma forma exclusiva de conhecer pessoas. Há também a ideia de que apenas os “falhados” e “desinteressantes” é que recorrem a este tipo de sites o que, pela minha experiência profissional, não é totalmente verdade. Conheço várias pessoas equilibradas, com bom senso e bem sucedidas a vários níveis, mas que por algum motivo não se sentem satisfeitas a nível amoroso e acabam por querer ter a possibilidade de alargar o leque de interacções. Se a Internet facilitar isso, porque não? Agora, como é óbvio, há de tudo em todo o lado e há até quem utilize estes sites de encontros para fins distintos daqueles que outros procuram. Assim, é importante que as expectativas sejam doseadas de forma realista, tal como seriam numa abordagem presencial, sem se esperar imediatamente encontrar uma “cara-metade”.

    Caso a ligação comece a ficar mais intensa e frequente, também é bom que não se prolongue demasiado tempo nesse formato. Um encontro num lugar público, seguro e descomprometido pode ser o passo seguinte caso haja interesse de ambas as partes. Isto porque é mais fácil esconder reais intenções através do ecrã, evitando-se um maior envolvimento emocional com quem não sabemos estar do outro lado e que pode revelar-se um engano. Para além disso, a imaginação consegue ser mais poderosa do que a realidade e pela Internet é mais fácil depositar no outro os nossos ideais, desejos e projecções, levando mais facilmente à desilusão.

    segunda-feira, 14 de abril de 2014

    Infidelidade no casal: A traição no namoro ou casamento

    Uma das problemáticas que atendo com frequência é a da infidelidade, seja em consulta com casais ou consultas individuais. E normalmente surgem muitas perguntas e dúvidas. Onde se traça a linha entre o que é ou não uma traição? Uma pessoa que já traiu é alguém que vai trair novamente? É ou não possível uma relação sobreviver a esse acontecimento?

    Em primeiro lugar, é preciso definir a infidelidade. É perfeitamente natural, e até saudável, que os elementos de um casal tenham pensamentos ou até fantasias com terceiros, tanto nos homens como nas mulheres.
    Se essas fantasias forem muito recorrentes e intensas, de forma a ocuparem grande parte do tempo da pessoa, não se pode considerar uma traição, mas poderá ser necessário reflectir sobre o que possa estar na origem do que parece ser uma insatisfação permanente. Ainda assim, uma das coisas que costumo dizer é "no pensamento tudo pode acontecer", sem que isso signifique falta de amor pelo outro e muito menos uma vontade concreta de passar ao acto. Contudo, também não é só no contacto físico que a traição existe. Há situações de flirt (principalmente quando este é constante e repetitivo) que, mesmo que não tenham desenvolvimento, constituem uma infidelidade, na medida em que o respeito pelo(a) parceiro(a) está a ser claramente comprometido.

    Depois também se pode considerar que existem infidelidades "mais ou menos graves", que se distinguem pelo grau de premeditação, pelo número de vezes em que se repetiu, ou por ser com uma ou várias pessoas diferentes. Em qualquer dos casos, uma traição "menos grave" pode ser legitimamente imperdoável para o(a) parceiro(a).
    Uma traição que "não significou nada" também não deixa de ser uma traição. É verdade que o envolvimento emocional com um terceiro pode ser muito mais devastador do que um relação puramente física, mas para quem é alvo de um desgosto amoroso, o sofrimento é igualmente grande.
    Aliás, uma infidelidade, é por norma uma ferida difícil de suportar, que gera sentimentos de revolta, angústia, decepção, vergonha e acima de tudo, um abalo na confiança pelo(a) parceiro(a) que é um dos principais pilares de uma relação.

    Quanto à questão "infiel uma vez, infiel sempre", também não é linear. Perdoar traições que se vão repetindo e descobrindo sucessivamente ao longo de uma relação, diz tanto do traidor como do traído, pelo que é necessário intervir junto da pessoa no sentido de reforçar o seu amor próprio e de a ajudar a não permanecer num funcionamento autodestrutivo. Por outro lado, também há "traidores compulsivos" que pedem ajuda profissional, por não compreenderem qual o motivo de sentirem que amam o(a) parceiro(a) mas mesmo assim terem uma necessidade constante de seduzir. Nestes casos, não é incomum que uma fragilidade no amor próprio também esteja na origem e que, portanto, a única forma da pessoa se sentir valorizada é com a constante confirmação de quem é desejada por outros.
    E por fim, claro que também há os que não sentem qualquer culpabilidade e acham que não estão a fazer nada de errado, o que se poderia denominar de "infiéis crónicos".
    Agora, o facto de alguém já ter traído, não significa que o vá fazer novamente.

    Posto isto, podemos passar ao úlitmo ponto que referi: é ou não possível uma relação sobreviver a uma traição? A resposta é: depende. Sim, nuns casos é possível e noutros não. O contexto, as circunstâncias, a personalidade de cada um e principalmente os sentimentos que se geram, acabam por determinar a conclusão.
    Os estudos indicam que há vários factores que podem estar na base de se ultrapassar uma infidelidade, como por exemplo a durabilidade da relação. Quanto mais longa for a relação, maior a probabilidade da situação ser superada. Mas há muitos outros factores que, conjugados, ajudam a encontrar uma resposta. O que posso adiantar é que conheço casais em que a infidelidade abalou de forma irreversível a relação e, outros, em que essa crise conjugal acabou por ser ultrapassada, a confiança restabeleceu-se e permanecem felizes. Isto significa que não existem verdades absolutas nem formas certas ou erradas de lidar com este tema. Cada caso é um caso, cada pessoa é única, cada relação tem uma dinâmica própria.

    Quando as pessoas desabafam com os de fora (amigos íntimos ou familiares), têm de imediato acesso uma série de opiniões acerca do assunto e sobre o que deveriam ou não fazer. Mas é preciso frisar que, por melhor que seja a intenção em ajudar, muitas vezes as respostas são baseadas em reacções emocionais pela relação de amizade ou em visões generalizadas que vão ao encontro das suas próprias experiências de vida. Um profissional pode ajudar a que, de uma forma isenta, a pessoa ou o casal encontrem o caminho a seguir.

    sexta-feira, 11 de abril de 2014

    Consulta de Psicologia a Crianças

    As áreas de intervenção na consulta de psicologia infantil são as seguintes:

    • Problemas emocionais
    • Problemas no controlo dos esfíncteres (enurese, encoprese)
    • Agressividade infantil
    • Problemas de comportamento
    • Dificuldades relacionais
    • Perturbações da linguagem
    • Mentiras e furtos na infância
    • Divórcio/separação dos pais
    • Nascimento de irmãos/ciúmes
    • Medos, fobias e ansiedade infantil
    • Problemas com a alimentação
    • Problemas com o sono
    • Depressão e/ou ansiedade infantil
    • Problemas de integração e adaptação  (infantário, escola...)
    • Dificuldades de aprendizagem

    Consulta de Psicologia a Adolescentes

    Estas são algumas das áreas de intervenção na adolescência:


  • Orientação escolar e profissional 
  • Problemas de comportamento
  • Comportamentos de risco
  • Medos, fobias, ansiedade
  • Tristeza, apatia, depressão 
  • Conflitos familiares
  • Dificuldades escolares
  • Angústias em relações amorosas
  • Problemas do comportamento alimentar (Bulimia, Anorexia, obesidade)
  • Problemas de sexualidade e/ou identidade sexual
  • Problemas de integração social/escolar
  • Problemas de imagem corporal/ Baixa auto-estima

  • quinta-feira, 10 de abril de 2014

    Contactos e Localização

    O consultório de Lisboa está situado no coração da cidade, em frente a uma das saídas da estação de metro da "Baixa-Chiado", nas traseiras dos "Armazéns do Chiado".
    As consultas realizam-se de Segunda a Sábado entre as 10h30 e as 21h.

    - Morada: Rua Áurea, 200 2ºdto 1100-064 Lisboa (conhecida por Rua do Ouro).

    - Telefone para agendamento de consulta ou esclarecimentos: 914675354

    - Email para pedidos de informações ou marcações: psi.ritadias@gmail.com



    Desde Janeiro de 2015 que também se realizam consultas de psicologia em Odivelas, na clínica Dias Neto, perto do metro e das piscinas municipais, na seguinte morada: Rua José Régio Lt.12 R/c esq. As marcações ou pedidos de informação são igualmente feitos pelo número de telefone 914675354 ou por email para psi.ritadias@gmail.com.




    Serviços prestados

    Este consultório presta serviços distintos, de acordo com as necessidades de cada pessoa. Para saber mais acerca de cada um deles, basta clicar naquele que pretende.

    - Apoio e aconselhamento psicológico

    - Acompanhamento psicoterapêutico

    - Aconselhamento Parental

    - Aconselhamento conjugal

    - Aconselhamento na sexualidade

    - Apoio na (In)Fertilidade, Gravidez e Maternidade

    - Avaliação psicológica e de diagnóstico

    - Orientação escolar e profissional do 9º ao 12ºano

    - Consultas presenciais em Lisboa

    - Consultas Online

    quarta-feira, 9 de abril de 2014

    Formação e experiência profissional

    Formação em Psicologia Clínica e do Aconselhamento e Pós- Graduação em Medicina Sexual. Cédula profissional nº869 da Ordem dos Psicólogos e certificada pela Entidade Reguladora da Saúde.
     
    A trabalhar desde 2007 em prática clínica privada, com adultos, jovens e crianças no consultório de Lisboa.
    Experiência profissional em contexto hospitalar e escolar. Avaliação psicológica e de diagnóstico, acompanhamento psicológico/psicoterapêutico e apoio ao nível da psicologia da saúde, através do Departamento de Psicologia e Psiquiatria do Hospital da Marinha em Lisboa.
    Responsável durante dois anos lectivos pelo serviço de Psicologia do Agrupamento de escolas Mães d´Água na Falagueira - Amadora, na intervenção com crianças e jovens.

    Formação complementar em:
    • Ansiedade e Depressão na clínica do adulto;
    • Abuso e dependência de substâncias;
    • Orientação Escolar e Profissional;
    • Acompanhamento Psicológico Infantil;
    • Técnicas de Relaxamento

    terça-feira, 8 de abril de 2014

    A importância das emoções negativas


    Todos preferimos sentir emoções positivas, que nos proporcionem bem-estar e felicidade. Por norma abraçamos a alegria com facilidade mas não fazemos o mesmo com a tristeza. Os sentimentos difíceis de suportar são até muitas vezes ignorados ou negligenciados, na esperança de que passem por si só ou para que não tenhamos de nos confrontar com emoções que nos magoam e fragilizam. Com o medo de perder o controlo ou de não aguentar, reprimimos o que não queremos sentir e seguimos em frente, não nos apercebendo que aquela emoção vai ter obrigatoriamente de ser canalizada de outra forma qualquer e muitas vezes de uma forma muito mais disfuncional e desgastante.
    Sucede que a tristeza, a raiva, o medo ou qualquer outra emoção considerada negativa, tem um papel muito importante na sobrevivência psíquica de qualquer um de nós. Ajuda-nos a perceber o nosso interior e a tentar descobrir que circunstâncias da nossa vida precisam de ser alteradas, arrumadas ou simplesmente digeridas. No fundo, é também a tristeza que nos permite encontrar a felicidade.

    O objectivo não passa necessariamente por substituir uma emoção negativa por outra positiva, mas o simples facto de não a rejeitarmos, pode levar a que essa mudança ocorra. Há emoções que só se forem vividas na sua plenitude é que podem ser ultrapassadas e, portanto, também há emoções difíceis que necessitam de permanecer algum tempo para que se transformem. Contudo, por vezes, só quando estas são verdadeiramente compreendidas é que acabma por diminuir ou até mesmo desaparecer. Ao serem destapadas, tratadas e valorizadas, perdem a sua força, dando lugar ao que inicialmente preferíamos sentir. Mas para isso, precisamos de não saltar etapas e aceitar uma emoção negativa tal como aceitamos uma emoção positiva.